Elektra Natchios

 

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Take on me

Depois de mais ou menos seis horas regadas com tudo o que há nessa playlist  muito café e algumas necessárias paradas, o nome é a primeira música da lista!

Vou procurar um pulso novo agora!

Boa apreciação, beijos meio amargo 😉

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Pipoca Caramelizada & Murcha

A melhor das minhas noites nos últimos tempos?

pipoca

Vou te contar, começou com uma história sem pé nem cabeça dessas que a gente descobre pelo autor daquela outra saga que você já leu duas ou três vezes e uma total falta de fé que pudesse encontrar algo que voltasse a te deixar como uma adolescente suspirando.

Pois bem, 230 páginas depois das 310 totais, lidas em uma única noite, qual diga-se de passagem, o olho não foi pregado e a bateria foi pro brejo, e eu juro, com todo pesar e vergonha não alheia de uma pessoa com 23 anos na cara, que eu coloquei mesmo aquele sujeito que vez ou outra eu acho que devo usar os culhões que geralmente eu uso pra enfrentar metade das coisas que me dão pavor com um sorriso na cara – menos borboletas – e chamá-lo pra sair, como o personagem principal.

Qual é? Não me julguem

Quem nunca?

Hein?

Confissões a parte, não convinha pegar no sono às 4:30 da matina tendo todo um dia pela frente, faz o que então? Limpar casa!

Por que, não?

Limpa a mente também.

E uma hora depois, com o sono arriscando a retornar, balançando os pés pendurada na janela comendo pipoca caramelizada e murcha, daquela sessão de Harry Potter a uns dias atrás que não chegou nem ao segundo filme da série, e brincando de cuspir o milho o mais longe possível na rua, nada me veio a mente a não ser aquela primeira nuvenzinha rosa que apontou dizendo que o sol estava para nascer.

Esses pequenos momentos, ou noite, em que se é irresponsável e deixa a inspiração vir sem travas na língua ou nos dedos ao teclar, com muito excesso de sono – o que, aliás, dá quase a mesma coisa de ficar bêbado – ouvindo a playlist criada a uns anos atrás aí de um filme ruim, baixinha o suficiente para que consiga ouvir os pássaros acordando também, é que essa onda da magia do mundo te estapeia a face.

O primeiro motor é ligado junto à consciência do dia que se inicia, e do que resta da melhor noite são só orações incertas de que essas fugas da realidade, de mente vazia, se repita.

[LIVROS] Colecionando Sentimentos

Faz uns 84 anos que não escrevo um review, mas esse é deveras necessário… Prometido…

ATRASADO!

E por demais merecido!

Colecionando Sentimentos é o primeiro livro de uma escritora Pirapetinguense – para os desavisados, são os nascidos em Pirapetinga, vulgo minha cidade – da editora Autografia.

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A começar pelo título que descreveu perfeitamente do que se trata o livro, uma reunião de poesias escritas ao longo do tempo e de uma sinceridade poética e simples com uma riqueza de palavras impressionante.

Ao bom leitor de poesia, se prepare para embarcar em um misto de sentimentos palpáveis e reais independente da idade, há uma clara percepção do dia-a-dia, de rotina nas palavras com a qual tenho certeza que muitos irão se identificar.

Fica claro ao ler o livro todo, que aliás, oferece uma leitura rápida, o tempo que passa, os sentimentos que mudam ou permanecem, as confusões, afetos e desafetos, facilita com clareza conhecer o autor em suas palavras.

Uma das poesias que mais me chamou atenção foi Iletrado, com o claro contato com a realidade de muitos, confiram abaixo.

Hoje me defrontei com olhos curiosos.
No início da minha fala, a atenção era tamanha
Que parecia carregar conhecimentos valiosos.
Até então, certo comportamento apresentava uma façanha.
O levantar desconsertado
Questionou uma possibilidade.
A vontade era de ser ajudado.
Para não desperdiçar uma oportunidade,
O moçoilo iletrado não sabia como pedir.
Mesmo assim, sua coragem surgiu
A fim de a tarefa desejada, cumprir.
E de um olhar acanhado,
novo olhar se abriu.
Uma onda de tranquilidade nasceu
Sobre um homem que, não cansado de lutar,
Convicto, me respondeu:
“Não sei escrever… Só trabalhar.”

Pauliene Granja, estou esperando o volume 2, moça! Rs’

Vou deixar as informações retiradas diretamente do site da Editora abaixo, assim como os devidos links.

Informações

  • Páginas: 72
  • Ano de publicação: 2017

Descrição
Este livro vai te levar a uma viagem interior, talvez a viagem mais comprida, caro leitor. Falando de suas vivências cotidianas, Pauliene escreveu algumas destas em poesias, partilhando com você um pouco de suas experiências. Fala de forma direta e indireta das dificuldades, às vezes noites maldormidas para atingir seu objetivo, mas também expõe a alegria pelos sucessos alcançados. Pauliene, nascida em família humilde na pequena cidade de Santana, em Pirapetinga (MG), concluiu alguns cursos como os de técnico em Piano, pelo CBM (RJ) e de Psicologia em Itaperuna (RJ). Desde a sua infância, canta em coral de uma igreja católica, em casamentos e diversos eventos culturais, conversando com as pessoas através de maravilhosas canções apresentadas. Como pai, estive e estou presente em praticamente todos os momentos de sua vida, ora aplaudindo seus atos ora lhe chamando atenção, mas buscando enxergar o mundo como ela enxerga e também lhe apresentando o meu. É nesta troca de pontos de vista que percebemos que somos tão iguais quanto diferentes e que “colecionar sentimentos” é uma dádiva de todos para crescer, se potencializar e que precisamos assumir. Enfim, fico muito feliz em fazer parte com ela, nesta obra. Que o leitor possa fazer dela bom proveito e se enriquecer espiritualmente.

Links
Sobre a autora Pauliene
Livro Físico

Embarquem nessa rápida jornada em meio ao seu cotidiano, queridos leitores.

Beijos meio amargo 😉

CONTOS DE BAR, 6. Maybe Brown Brandy

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Eu tinha um amor que me amava

E era louco como meu coração aquecia só de pensar

Mais louco ainda como doía deixar passar

Rabiscou a última linha escrita com ferocidade digna de quem esfaqueia um pão, a pouca luz não deixava que olhos curiosos conseguissem ler o que derramava nas páginas de uma velha agenda, de pelo menos quatro anos atrás.

Recomeçou a linha e continuou: “Mais louco ainda como me fazia de mim mesma desapegar” – tipo uma experiência corpórea, sussurrou só para si mesma deixando um bufar soltar quando percebeu o sorriso que começava a crescer “só de pensar”.

Tomou mais um gole do que achava ser conhaque, a bebida parecia amarronzada, mas podia estar enganada devido às luzes. O gosto parecia amargo, mas como já sentia sua língua grossa, podia muito bem estar confusa quanto ao gosto também.

Abandonou o copo e pegou a caneta de volta após tirar as mechas de cabelo que se espalhavam pelo seu rosto, a mulher desgrenhada em seu jeans sem graça, camiseta e um enorme suéter pareceria deslocada se fosse um pouco mais cedo, mas a verdade é que todos estão meio desajustados àquela hora em um bar.

Eu tinha um amor que… me amava

E me derretia pensar em declarar aos quatro ventos

O amor que me enchia, me transbordava

Mas que nunca seguia”

A música country ao fundo, com uma batida que lhe lembrava os antigos filmes de velho oeste que via com o pai a fez suspirar nostálgica. O que raios havia acontecido com aquela garotinha que amava o bang bang só porque era um ritual particular de felicidade aos domingos com seu herói? Que rumo havia tomado para estar rabiscando poesia após um dia merda no trabalho, em um bar qualquer da cidade, acompanhada da bebida que apontou e sequer sabia o nome?

“Eu tinha um amor que recordava me amar

De tempos em tempos, quando seguia o padrão

Quando era a mulher que ele criou em sua mente para ser”

Virou a página escrita grosseiramente e continuou.

“Eu tinha um amor que talvez me amasse

E parecia se importar

Mesmo que só quando sua vida dava um tempo

Mesmo que a minha continuasse e se tornasse um caos

Porque eu tinha um amor…”

Sorveu o restante do líquido talvez marrom e o alto teor alcoólico queimou lhe a garganta.

Recordou-se da atual data e o fim do ano que se aproximava, tinha essa mania idiota de se iludir dizendo que deixaria o que já não mais servia para trás, mas…

“Eu tinha um amor que eu amava

Mesmo que se acorvadasse diante tamanha e insana emoção

Diante de tal torto sentimento imune a razão”

Fez um zumzum quase silencioso diante da conversação a sua volta acompanhando o ritmo do violão que sobressaía nas caixas de som.

“E ao mundo eu queria gritar que eu tinha um amor

Mas é que nunca rolava o acordo

Sempre um recomeço que se iniciava

Constantemente tendo um amor”

Rabiscou a data no final, sem certeza se era o dia certo, pediu a conta e se despediu do garçom tomando as ruas para esvaziar a mente, afinal, ela tinha um amor, e isso não iria mudar.