[Irony of Fate] Capítulo 4

Já perdera a conta de quantas vezes durante o dia havia olhado para o relógio, ansiosa. Não sabia nem ao menos explicar se era apenas nervosismo, ou ansiedade para os minutos correrem.

– É claro que NÃO estou ansiosa para sair com aquele… Aquele… Argh! Com ele – Inconscientemente, Emi olhou mais uma vez as horas. Faltava pouco, 16hr50. Apenas dez minutos.

Limpou o suor inexistente da testa com as costas das mãos, concluindo o relatório de um pequeno projeto paralelo que havia finalizado a alguns dias. O expediente aquele dia havia sido intenso, e agora tudo o que queria realmente era ir pra casa tomar um banho quente. Devaneou imaginando a água escorrendo por si, mas fora interrompida por uma batida na porta.

– Sim? – Perguntou voltando a realidade.

– Pronta? – Apenas metade do corpo de Diogo encontrava-se para dentro da sala, e ao vê-la olhá-lo meio imersa, ele finalizou – Nem pense em tentar fugir. Porque eu juro que te carrego no colo se fizer isso.

Ele falou a vendo arregalar os olhos.

– Meu Deus, um maníaco!

– Brincadeira, linda. Agora vamos, todo mundo já está indo. – Ele acabou de adentrar a sala a puxando da cadeira, desligando o computador e pegando a bolsa que repousava em cima da mesa.

– Hey! – Ela exclamou ao vê-lo tão despojadamente em sua sala, mas ele apenas sorriu pegando sua mão e a puxando para fora da sala.

– Não devia me tratar com tanta intimidade em pleno trabalho! – Ela exclamou reclamando no caminho, estavam em seu carro. – E por que raios você está dirigindo o meu carro?

– Estou te tratando como à uma amiga. Se alguém disser algo, ignore. É apenas inveja por você andar com a minha pessoa. – Ele sorriu debochado.

– Com certeza, você conquista pelo excesso de modéstia, não é? – Ela respondeu irônica. – E o meu carro?

– Eu apenas pedi a chave e você me entregou! – Ele exclamou enquanto ela tentava se lembrar do acontecido mordendo os lábios – Eu sei, não precisa se explicar. Você se distraiu olhando para mim. Isso realmente acontece muito.

– Tsc… Idiota! – Ela resmungou ignorando-o.

– Relaxe, querida! Será que poderia agora, fora do seu local de trabalho, me mostrar um pouco mais da garota que você foi antes?

– O quê? Eu estou sendo eu mesma, e antes também fui.

– Oh, claro! Antes você foi pra cama comigo como uma bela e inocente sedutora. E agora me corta a todo momento. Você por um acaso é bipolar? – Ele perguntou sério. Não estava bravo nem nada do tipo, apenas não entendia. Um silêncio surgiu, e ele apenas viu a face dela a contorcer-se observando o movimento do lado de fora de carro.

– É por isso que não gosto de segundo encontro. Sempre há perguntas, e o querer saber mais da minha vida. – Ela falou de forma descontraída ainda observando o movimento noturno, mas em seguida olhou o com uma pergunta. – Você não disse que íamos apenas repetir a dose?

– Desculpe minha cara, mas se quer ser tratada como uma qualquer não é de meu feitio. Apesar da falta de compromisso, uma mulher deve ser tratada com respeito – O sinal vermelho o fez frear. – O que sugeri, caso você não tenha entendido, era apenas manter um lance sem compromisso. Não sem conversas e considerações, amigos com benefícios. Não quero compromisso, mas também não procuro garotas vazias e sem conteúdo. Mas acho que errei ao pensar que você não era assim, não é?

Ela o fitou com os olhos arregalados, não era aquilo que quis dizer. Havia muito mais por trás da negação de relacionamentos que ela seguia rigorosamente, havia um medo passado e contido, que a fez assim como forma de se proteger. Ela fitou-o desviando o olhar em seguida falando baixo.

– O sinal já abriu. Mas será que poderia, por favor, me levar para casa?

– Desculpe-me. Não foi o que eu quis dizer. – Ele ponderou. Que direito tinha de lhe falar isso? A mesma claramente não teria ido se não houvesse praticamente a obrigado.

– Tudo bem, deve ser com isso mesmo com o que pareço, não é? – Ela levantou o olhar fitando a estrada a frente, firmemente mordendo os lábios, esses já exibindo uma coloração avermelhada.

Por alguns momentos ele quis saber o que se passava na cabeça dela. Em um momento tão desafiadora, e agora parecia apenas precisar de um abraço. Ele não era insensível. Foi quando decidiu fazer o que ela lhe sugerira desde o início.

– Então você quer esquecer aquilo tudo, não é? – Ela olhou o interrogativa – Sinto muito mas não vou deixar você tão solta assim. Vamos recomeçar. – Ele falou em gestos exagerados, batucando o volante – Sou Diogo Mitchell, 27 anos. Muito prazer.

Emi sorriu ao entender o que ele falava.

– Emi Willians, 24 anos. O prazer é meu.

– Bem melhor! – Ele exclamou vendo seu pequeno sorriso. – Então Emi, uma garota acabou de me dar um fora e eu estava levando ela pra jantar, sabe? O caso é, eu estou com fome, o que me sugere?

Ao vê-lo falar tão descontraído fazendo caras e bocas ela não pôde evitar sorrir. Talvez toda aquela situação não fosse tão ruim assim, até que ele estava lhe saindo umbom amigo. E foi com esses pensamentos que ela exclamou.

– Pizza!

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