[Irony of Fate] Capítulo 6

O barulho irritantemente insistente parecia longe, mas foi suficiente para despertá-la levemente. Um vento frio passou pela mesma a fazendo se encolher em um resmungo se remexendo inquieta e arranhando o local onde repousava. Era aconchegante.

Quente – Ela suspirou inalando a essência gostosa com um sorriso satisfeito – Amadeirado? – Estranhou descendo a mão livre arranhando a extensão suavemente e ouvindo um gemido rouco e contido em resposta ao ato.

– Abusando de mim enquanto durmo pequena? – Emi abriu os olhos em espanto tendo a perfeita visão de sua mão sendo segura por outra maior e mais forte a poucos centímetros do que era facilmente identificável, a região da virilha de um homem por sob a calça jeans levemente justa. Descrente, levantou a cabeça rápida.

– Diogo?

– Olha Emi, você até pode continuar – Ele deu uma pausa sorrindo de modo sacana – Mas eu não me responsabilizo por meus próximos atos.

Ela se encolheu ao senti-lo fazendo uma leve carícia em seu quadril com a outra mão que só então a fez perceber a situação na totalidade. Estava praticamente deitada por cima de Diogo, tão perto a ponto de sentir com perfeição onde se encontrava cada gominho de sua máquina de lavar fazendo com que um calor incômodo surgisse em seu baixo-ventre. Prendeu a respiração por alguns segundos até que Diogo parou a suave carícia apertando o lugar com certa força, e no segundo seguinte, o mesmo estava no chão sem ar por ter caído do sofá enquanto Emi ao seu lado totalmente desgrenhada e a face levemente avermelhada apalpava-o em busca de alguma lesão.

– Desculpa. Você está bem?

– Não sei direito – Ele pausou com voz sofrida para continuar não podendo conter o sorriso que brincava em sua face – Acho que preciso de um beijo para sarar.

– Idiota! – Deu-lhe um tapa no ombro subindo as escadas irritadas com um bico birrento nos lábios, enquanto ele apenas levantava do chão aos risos.

O cheiro delicioso de ovos e bacon se espalhou pelo andar inferior, e quando Emi desceu já vestida para o trabalho pôde visualizar Diogo de costas e sem camisa acabando de distribuir o bacon em dois pratos e salpicando os pratos com o que parecia ser orégano enquanto cantarolava o que ela identificou ser um jazz antigo. Ele virou-se com os pratos em mãos surpreendendo-a que tinha o olhar perdido em suas costas, e agora em:

Pai amado! Aquilo é uma máquina de lavar completa com direito à secadora.

Só quando seu nome foi chamado pela terceira vez, que Emi despertou.

– Poxa Emi, assim eu fico até com vergonha de ser tão gostoso – Gracejou o homem passando por ela em seguida e a acertando levemente no bumbum sorrindo descarado – Vou tomar uma chuveirada. Espere-me para o café ou eu te mordo!

E a porta do simpático banheiro embaixo da escada se fechou a mesmo tempo em que um pano de prato voava na direção de Diogo.

Era a quinta vez que o telefone tocava, e ela realmente implorava para que não fosse mais problemas para sua lista

  • Compensar o atraso do outdoor para a propaganda X;
  • Planejar o marketing na nova propaganda Y;
  • Procurar o melhor formato para a propaganda N;
  • Agendar um jantar com a empresa K;
  • Respirar!

Esse último era pessoal. Ela inalou o ar profundamente, e foi quando a porta se abriu revelando aquele temível sorriso de canto foi que ela suspirou desgostosa.

É muita provação pra um dia só… – Ainda recordava-se claramente da manhã desastrosa que havia tido com o indivíduo ali presente.

Como se não bastasse a cena no sofá e a ligeira admiração por parte dela enquanto ele cozinhava, ele ainda havia pegado-a desprevenida saindo do banho apenas de calça e descalço. E quando ela o ralhou, Diogo justificou ter esquecido a camisa, essa qual realmente repousava jogada no sofá. As gotículas de água escorriam pelo corpo do moreno morrendo exatamente onde a beira da cueca preta despontava levemente da calça. E ela quase implorara aos céus para ser uma daquelas pequenas gotículas por alguns minutos.

E mais uma vez ele sorrira vitorioso vendo-a morder o lábio inferior freando o desejo.

Oras! E que mulher em sã consciência não se abalaria com uma visão daquela logo de manhã?

Quando chegaram juntos, pôde perceber o rebuliço se formando por parte de alguns dos colegas de trabalho, mas cansada apenas deixou para lá os ignorando e se trancando em sua sala até então. As lembranças a tomaram por certo tempo, até ouvi-lo chamá-la novamente.

– Sinto muito interrompê-la docinho, mas Peter quer falar conosco.

E antes mesmo que pudesse sair, o então chefe Peter já invadia a sala animado e pronto para dar-lhe as novidades ali mesmo sem pausas.

– O aniversário da Big Think está chegando. E quero que a sua equipe produza a festa!

Peter estava animado e agitado aquele dia, e o resultado dessa empolgação eram as quase duas horas em que ele conversava e gesticulava sem parar com a equipe de produção sobre ideias e o estilo da comemoração, enquanto toda a equipe correspondia o entusiasmo à altura fazendo algumas anotações e com os computadores portáteis em mãos à procura de algumas coisas. Emi era a menos entusiasmada, apenas prestava atenção falando raramente com uma xícara de café na mão, por outro lado, Diogo parecia tão entusiasmado quanto Peter.

– Os outros projetos de vocês vão ser divididos entre as demais equipes. Por vinte dias vocês estarão por conta apenas da festa, esta será em minha propriedade na saída da cidade. A lista de convidados já está quase pronta, deixei apenas para vocês finalizarem caso achem outros contatos importantes – O homem deu uma pequena pausa descansando a mão cruzada sob o queixo como se pensativo. – Eu gosto do estilo de vocês, e queria minha melhor equipe nesse momento tão importante. São 25 anos e cada vez evoluímos mais – Peter falou emocionado recebendo apoio dos outros – Bem, agora se me permitem, vou deixá-los começar. Conto com vocês, pessoal!

Não demorou muito para após que a porta batesse indicando a saída do homem, a cabeça de Emi quase explodisse enquanto sua agitada equipe falava animada todos ao mesmo tempo fazendo-a tomar uma decisão trágica.

– Hm… Eu preciso de mais café.

Quase duas semanas transcorreram tranquilamente, e a mente de Emi agora podia pensar com clareza.

  • Convites; (entregues e confirmados)
  • Buffet; (confirmado)
  • Decoração; (começaria daqui três dias)

E todo o resto da lista também exibia lindamente um (confere) na frente. Por todas aqueles dias ela havia enlouquecido junto à equipe em busca da perfeição naquela comemoração, e o orgulho só seria maior quando visse tudo pronto no dia, faltava menos de uma semana apenas, e todo esse tempo foram livres de Diogo.

Talvez ele não fosse um problema no fim das contas! – Ela suspirou ao pensar nele. Não podia negar que todas aquelas provocações e brincadeiras por parte dele alegraram sua não tão pacata vida. Divertia-se, mas não tinha recordações como apenas ver filme com alguém sem motivo algum, nem mesmo com as amigas, além dessas serem poucas. Quando saía com as mesmas, era a solteira do grupo, e nunca demorava a dar um jeito de sumir com algum desconhecido, para na manhã seguinte fugir como fez com Diogo. – Talvez Donna esteja certa e realmente está na hora de mudar…

Seus pensamentos foram suspensos quando viu o dito cujo que povoava seus pensamentos adentrar a sala meio eufórico.

– Tudo já foi confirmado? Será que não sobrou nenhum convite aí? – Ele perguntava sem pausas e respirando pesado como se houvesse acabado de disputar a maratona. – Só unzinho!

– Se acalme Diogo, pra que quer mais um convite? – Ela quis saber desconfiada.

– Curiosa… – Ele estreitou os olhos a olhando – Só vai saber se me arranjar um convite!

Ele afirmou categórico cruzando os braços.

– Não queria saber mesmo – Ela rebateu como uma criança – Tem alguns sem nome. É só você procurar com a Sam. – Completou com indiferença – Eu estava mesmo considerando algo por causa dele? Oh! Emi, não se iluda, você conviveu apenas três dias e outros longe com ele e já acha que o conhece? Você não é assim, reaja! Além do que aposto que esse convite é pra uma acompanhante.

– Ah! Te amo, Emi. – Ele pegou o rosto dela entre as mãos assustando-a quando lhe deu um beijo estralado na bochecha como uma criança feliz que havia acabado de ganhar um brinquedo. – Agora… Tem algo marcado pra hoje à noite?

– Não pensei sobre isso ainda…

– É sexta-feira, baby! Se não arranjou nada até agora vai sair comigo. – Diogo decretou ainda animado esparramando-se na poltrona de frente para a mesma. – Hoje vamos dançar.

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