[Irony of Fate] Capítulo 8

Ainda era madrugada quando o interfone pôs-se a soar insistentemente fazendo-a acordar assustada em um pulo e caindo. Estava a repousar no sofá enquanto um seriado matutino qualquer arrancava gargalhadas de um público invisível na TV.

Esfregou os olhos murmurando um inaudível “Já vou!” cansada quando mais uma vez o interfone voltou a tocar.

Parou pensando nos últimos fatos que dançavam pela sua mente enquanto se esticava. Após a novidade de Ethan, não pôde evitar a surpresa, mas com toda a empolgação exalada pelo mesmo, ela logo tratou de afastar todos os pensamentos repentinos que se puseram a encher sua mente e se concentrou em tudo que ele contava. Em como sua noiva era linda, simpática; como achava que elas se dariam bem, e como andava os preparativos do casamento que não demoraria a acontecer. Mas com certeza o que mais a surpreendeu fora o pedido dele:

– “Eu sei que está meio em cima da hora, mas não tive tempo antes. Emi, quero que você seja minha madrinha.”

Seu primeiro pensamento fora recusar. Mas como poderia com Ethan alegando em como ficaria feliz ter a amiga ao seu lado nesse momento tão importante. Além de o que sua cara de cachorro sem dono enquanto ela pensava não deixara saídas, ela aceitara.

No fim o casamento aconteceria em dois meses, em sua antiga cidade. Não pôde evitar um sorriso ao recordar-se da conversa, estava feliz por ele. E talvez pela primeira vez em anos sentia-se livre de forma como nunca havia se sentido antes. Ethan fora algo importante, ainda era, nunca esqueceria seus momentos juntos. Mas vê-lo tão feliz pelo casamento com outra a colocou em uma realidade peculiar que pela primeira vez aceitara de bom grado, Nós – Emi e Ethan – não existe mais.

Foi quando mais uma vez o interfone disparou a tocar que ela correu para atender amaldiçoando em pensamentos quem quer que fosse que havia acordado-a em plena 3hrs da manhã.

– Sim?

– Emi. Sou eu, Diogo. – A voz meio trêmula do homem não negava, estava bêbado.

Ou doente! – Considerou Emi. – Hm… Pode subir.

Deixou a porta aberta e subiu para o hangar superior a procura de um roupão, encontrando-o rápido e então descendo para dar de cara com Diogo escorado na entrada. Os cabelos já rebeldes ainda mais bagunçados, as bochechas muito vermelhas, lábios entreabertos, e aparentemente, não muito firme das pernas.

– Oi! – Ele murmurou simples.

– O que está fazendo aqui? – Emi perguntou desconfiada.

– Fiquei com saudades. – Diogo deu um passo à frente, mas tropeçou nos próprios pés, coisa qual a fez ajoelhar-se ao seu lado preocupada, e bastou esse gesto para ela entender o que acontecia.

– Você está bêbado. – Constatou devido ao cheiro, ele riu acabando de se esparramar no chão procurando o ombro dela para repousar a cabeça.

– E você cheirosa… – Sentiu-o aspirar profundamente em seu pescoço provocando-lhe arrepios qual Emi ignorou. Procurando uma melhor forma, tentou fazê-lo se levantar, coisa que com certa dificuldade conseguiu, repousando o grande e musculoso corpo de Diogo no sofá.

– Com tantos lugares, você tinha mesmo que vir parar aqui? – Ela suspirou assim que conseguiu transportá-lo ao assento, a face dele mostrava ter entendido o que ela tinha dito e não gostara.

– Você é meu único lugar de Nova York para ir, pequena. Estava com… – Ele arregalou os olhos repentinamente se levantando aos tropeços e entrando no lavabo embaixo da escada com as mãos pressionadas sobre a boca. O som seguinte não foi muito acolhedor, o corpo de Diogo havia se revoltado expulsando a bebida ingerida para fora e deixando Emi meio enojada do lado de fora. Ela dispersou-se e alcançou o armário pegando uma caneca e enchendo-a com água e açúcar e colocando no fogo, pegou também um bule e preparou-o para receber a água que fervia, com aparentemente, mais café do que o necessário. Nesse meio tempo, um suado Diogo ainda meio zonzo saía do lavabo, com certeza ainda não em seu juízo perfeito, mas algumas horas a mais e ele estaria bem.

Bem, e com certeza, com uma bela dor de cabeça.

Emi estava encostada na pia pensativa – Café é melhor só amanhã… – Ela encaminhou para onde ele estava com um olhar perdido no chão, mas assim que parou em sua frente não demorou em ter aqueles olhos castanhos penetrantes encarando-a. Ela abaixou o olhar em uma tentativa de desviar, e então percebeu o estado dele ocupando o lugar no sofá ao seu lado enquanto tentava retirar a jaqueta que o mesmo usava.

– Oh Diogo! Você está sujo, melhor tomar um banho.

– Eu sinceramente mal me estou aguentando – Ele riu puxando a face dela pelo queixo para encará-lo – Me ajuda?

– Está brincando, não é? – Ela perguntou receosa.

– Quer mesmo que eu fique assim até amanhã? Porque não estou em condições de ir para casa também… – Ele afirmou categórico fazendo a se levantar decidida e andando ao seu lado escada acima para o banheiro. Este de maior porte, o oposto do outro que apenas tinha uma pia e um vaso sanitário.

O banheiro era largo e longo, e uma grande pia era ladeada por um grande espelho que cobria boa parte da parede, o mármore branco do tampo exibia alguns itens básicos do dia-a-dia e bem embaixo um armário de madeira suspenso do chão terminava o móvel, dividia o espaço com a parede de azulejo branco formando um corredor até uma banheira também branca, rodeada minimamente por volta de 20 cm por pastilhas pretas assim como o piso, espaço qual era preenchido com algumas velas apagadas e o que parecia pequenos potes de sais de banho. Bem ao lado desta um boxe de vidro separava a banheira do chuveiro, toalhas estavam penduradas em dois cabideiros metálicos, além de um espelho em forma de gota dentro do boxe. O designer em sua totalidade era impressionante.

Mas para um bêbado, ele apenas havia observado o corredor e encarava o chuveiro agora.

– Vou pegar uma toalha pra você, já volto. – Emi falou saindo rápida.

Não levara nem dois minutos para voltar, mas foram suficientes para encontrar Diogo já sem camisa e descendo a calça jeans.

– Oh Meu Deus! – Ela levou as mãos aos lábios enquanto ele tirava a peça junto à cueca jogando para o lado. – Eu já estou indo, a toalha está aqui. – Ela pendurou a toalha se voltando para a saída do boxe, mas aparentemente, ele agora estava melhor e não foi difícil, em dois passos largos chegar à porta de vidro a fechando e bloqueando a porta com seu corpo, mas o detalhe mais intimidante de toda a situação pairava a rondar insistente a cabeça de Emi – Nú! Ele está nú – A mulher desesperou-se em alguns segundos, mas observando melhor e não podendo evitar que certas lembranças voltassem à sua mente, deixou-se vagar. Aquele corpo forte sobre si a protegendo do frio, a esquentando intimamente em uma noite como aquela a apenas algumas semanas atrás. Seria mentira se dissesse que não estava com desejo.

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