[Irony of Fate] Capítulo 14

Quando o despertador tocou naquela manhã, a muito já estava de pé, tinha dúvidas até se havia dormido. Os olhos estavam um pouco inchados pelo cansaço, mas sua mente era a mais atingida sem dúvidas, coisa qual ela estava a ignorar com xícaras de café enquanto conferia os últimos itens de sua mala. Bocejou indo pro banho e se permitiu o luxo de desperdiçar algum tempo na banheira afundando-se na água de sais. Brincou com a espuma distraída, seus pensamentos ora tão leves quanto uma pluma ora tão intensos quanto um trem descarrilado.

– Tsc! Acho que voltei a ser uma adolescente. – ainda mal acreditava do que havia se dado conta na noite anterior, se sentia meio masoquista, mas estava disposta a acabar com aquele sentimento antes que crescesse mais – Amor – Emi pensou com um falso sorriso –Te conheço, nem te quero, me abandone…

Se recuperaria, assim como fez antes. E foi com esses pensamentos e a confiança renovada que ela saiu da água já fria, estava se aproximando da hora de seu vôo.

O luar entrava pela janela do quarto contornando as curvas suavemente, dando um ar misteriosos à mulher que parecia sorrir enquanto deslizava as próprias mãos pelo corpo nu de modo lento e excitante. Ela dava gemidos sôfregos enquanto parecia torturada em busca do êxtase.

E ele a fitou perfeitamente em sua frente tentando observar seu rosto na escuridão, esticou as mãos para tocá-la, mas não podia alcançá-la.

Então para quem ela se insinuava tão intimamente?

A visão embaçou e ela subiu e desceu formando um movimento contínuo a partir daquele por sobre a superfície qual estava, ao mesmo tempo que uma segunda voz se pronunciou em um ôfego.

– Isso Emi…

A raiva lhe subiu ao mesmo tempo que a visão o excitou. Ele reconheceu aquela voz e a cena entrou em um foco perfeito assim que o nome dela foi pronunciado. Emi cavalgava veloz sobre Ethan e os gemidos do casal enchiam os ouvidos de Diogo sem lhe dar opção.

Tudo o que queria era arrancá-la de cima dele, socar o homem que ousou tocá-la e fazê-la dele de modo que Emi nunca mais pensasse em outro, mas nada fez.

Não podia, nem conseguia, e quando acordou ofegante, suado e excitado, seu único pensamento coerente se voltava para aquela que havia deixado ir na noite anterior, e que realmente poderia estar nos braços de outro agora.

– Não, não podia… Porra, ela é minha! – Ele falou revoltado quando só pensar não foi suficiente, e sem pensar duas vezes, se levantou decidido, iria atrás dela.

Big Think deveria estar um completo alvoroço, para não dizer caos, gostaria de vê-los já que nem ao menos ficou até o fim da festa, mas a simples ideia de encontrar Diogo a aterrorizou a ponto de parar por um momento sentando-se no sofá.

Ela não havia chorado, não sabia se por ser forte ou por ser teimosa ou porque todas as vezes que pensava nele – mesmo que para xingá-lo mentalmente – um sorriso idiota surgia-lhe à face inconscientemente.

Ousou compará-lo com Ethan, do qual era tão dependente quando estavam juntos, de seus medos constantes de não ser boa o bastante para o mesmo. Eram tantas dúvidas que seu coração sempre estava apertado, a angústia e ansiedade brincavam com sua mente, como uma obsessão desmedida. Tudo aquilo chegava a fazer mal.

Tanto ao ponto que ele achou melhor se afastar.

– Era isso o que ele era, não é? Uma paixão obsessiva… – O fato de conseguir pensar no caso antigo com um sorriso nos lábios era um feito que tentou por anos, e agora ali estava ela, rindo de tudo espontânea e sozinha.

Ela concluiu agora pensando agora no caso com Diogo. Idiota e excitante, se completavam de maneira tão oposta que chegava a ser uma brincadeira entre amigos, simples como respirar, vivo como um dia de sol, não precisava de mais definições. Sentiu-se corajosa, e rindo solitária decidiu.

– Desculpe-me Ethan, mas preciso ficar e lutar. – E foi após isso, que a campainha tocou.

Quando se levantou para atender a porta achou que fosse Ethan que havia chegado para buscá-la, e por isso marchou decidida para lhe explicar o que havia decidido. Ele já sabia de toda a história e até mesmo havia encorajado-a. Depois que Diogo havia lhe deixado, a única coisa que conseguiu foi alcançar Ethan e pedir para levá-la embora, e ele, claro, quis saber o que estava acontecendo.

Lembrou-se envergonhada de contar para o mesmo todo seu estilo de vida e o que havia acontecido nas últimas poucas semanas. Ele desaprovou, mas não se agüentou em não rir dela. Lembrava-se do mesmo ter falado – Isso é castigo por ter sido uma menina má – E ainda completou a chamando de covarde para depois incentivá-la a lutar.

Ela abriu a porta animada, porém qual não foi sua surpresa ao ver o motivo de sua decisão bem ali, parado em sua porta.

Seus olhos se fixaram nela a fazendo se sentir exposta. Procurou seus lábios e estes estavam em uma linha reta e ela deu um passo para trás estremecida, ao vê-los. Se segurou para não tocá-los com as pontas dos dedos em busca de seu sorriso. Sua coragem sendo desconcentrada pelas pernas trêmulas eram um problema presente, e quando ela abaixou o olhar e ele desviou os seus para o canto da sala onde estavam as malas, sua pergunta saiu direta e incômoda.

– Vai viajar?

separador21

guia

anterior

próximo

Anúncios

3 pensamentos sobre “[Irony of Fate] Capítulo 14

  1. Pingback: [Irony of Fate] Guia | Café Meio Amargo

  2. Pingback: [Irony of Fate] Capítulo 13 | Café Meio Amargo

  3. Pingback: [Irony of Fate] Capítulo 15 | Café Meio Amargo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s