Água de Chuva

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O céu estava escuro, como se estivesse enjoado de ser azul vibrante e amarelo brilhante. Prometia água tempestiva, mas parecia preguiçoso de cumprir tal ato. Da janela, tentava ver além do que a vista alcançava, ignorando o calor qual odiava. Ainda lembrava-se de em meio ao temor natural na infância, apreciar um raio cortando o céu negro em um dia que a luz se extinguiu.

Esperava o vento em fúria de uma chuva com trovões para se pendurar na janela enquanto todos se escondiam quietamente e os cabelos ricocheteavam selvagens em sua face. Para se lembrar de girar e girar na sala pequena da avó e depois escorregar pela parede rindo enquanto via o mundo girar.

Era uma alegria tão simples.

Uma gargalhada tão incontrolável.

Uma saudade de felicidade.

Mas tão poucas gotas tocaram o chão aquele dia, que água salgada quis espalhar por seu rosto, queria algo do mundo, algo que a lembrasse da vida. Que a fizesse mover-se da monotonia e ir atrás de paixões. Que a água encharcasse suas vestes enquanto ouvia alguém falar sobre o juízo perdido tão cedo.

E ela responderia que aquilo não a deixaria doente, mas a falta da emoção de se entregar aos pingos gelados… Ah, aquilo já estava a matando.

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