CONTOS DE BAR, 2. Your details

  • Inspiração rápida de quinta, concluída na sexta, sem pretensões;
  • To pegando um gosto por cenas em bares ❤ ;
  • Boa leitura 😉

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Quando a risada reverberou se perdendo na amotinação sonora costumeira do bar, um choque percorreu sua pele como se todo seu corpo pudesse ouvir. Virou rápido o último gole do vinho barato com medo que ele percebesse, mas logo deixou um riso desgostoso escapar, ele não reparava nela como seus olhos teimavam em se voltar à ele.
Como sua barba estava rente a pele e era gostoso sentir, mal podia pensar se ele descobrisse que se aproveitava do abraço de despedida para deixar a pele de sua bochecha tocar seu rosto só pra sentir arranhar por alguns segundos.
Remexeu-se desconfortável no banco alto que deixavam suas pernas penduradas antecipando a vergonha que cometeria mais tarde – Foi uma boa ideia sair hoje – Não sabia explicar porque teve que engolir a bílis se perdendo nos detalhes das garrafas de destilados coloridos murmurando um “Sim” enquanto esses detalhes invadiam seus pensamentos como uma onda furiosa.
Pediu outra dose do vinho barato, com teor de álcool demais para conseguir apreciar o resquício do sabor da uva sem que fizesse uma careta. Definitivamente era fraca para bebidas.
Também era uma incógnita exatamente quando Brad Pitt, Liam Hemsworth, e o mais maduro George Clooney, nus em nuvens de algodão doce foram substituídos em seus sonhos por seu melhor amigo. Aquele mesmo que lhe contava de todas as aventuras, paixões e conquistas, e de quem ela sempre se lembrava de ter estado de alguma forma ao seu lado nos últimos anos, seja nas horas boas ou ruins.
Ele cantarolava junto a uma canção que saia dos altos falantes, um punk rock que tentava se sobrepor sobre a toda a conversação, batucava o copo de vodka com energético, e ela queria que tudo se calasse para ouvir melhor sua voz, mesmo que no fim fosse para dizer que cantando ele era ótimo em silêncio. Mas aquele zum, zum rouco, era bom.
Mas é que começou a ter um fraco por quando ele deixava o cabelo com um estilo curto militar e passava a ter cara de mal, mas sempre que o via ou se lembrava tinha um sorriso na face, ou quando deixava maior e ficava pensando se ficava arrepiado naturalmente.
E ironicamente viviam com piadinhas de friendzone, mas era covarde demais até pra ocupar esse posto, sabia que ele era, bem, seu melhor amigo, mas tinha dúvidas de quantas melhores amigas ele tinha.
Abaixou a cabeça sobre os braços no balcão e se deixou observar seu perfil, enquanto ele olhava o local em distração. Mas que péssima companhia era, deveria agradecer o fato do silêncio entre os dois também não ser constrangedor, quase companheiro, avaliaria.
E tinha que admitir que sua única intenção naquela noite fosse contar com a sorte de que ele se embebedaria, e ela entornasse o suficiente pra deixar seu lado mais impulsivo dar o ar de sua graça e depois rezar para que o álcool apagasse qualquer vestígio do acontecido e ela fingiria eternamente que não havia nada para se lembrar. E guardaria para si, aquela vez que não foi covarde e agarrou seu melhor amigo.
– Deveria parar de me amar a distância – seus olhos se encontraram – É que me deixa envergonhado desse jeito – uma resposta coçou a ponta da sua língua, mas ela deixou morrer e sorriu em desdenho, talvez já tivesse bebido o suficiente para ser impulsiva.

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