CONTOS DE BAR, 4. That encouraging smile

Aquele mesmo bar…

Infelizmente, não encontrei nenhum sorriso encorajador em particular pra deixar como imagem, então sintam-se livres pra imaginar cada um os seus;

Pra quem já leu as outras, vai ser interessante considerando que essa é uma espécie de continuação. MAS, não faz mal ler uma só;

A música é still loving you – Scorpions ( ❤ ) ;

Divirtam-se 😉

separador21

Não é que estivesse loucamente a fim de uma noitada, apenas que não podia mais suportar o silêncio absurdo de seu apartamento, enquanto se sentia liquefazer em uma poça de suor vendo qualquer clássico filme de sua infância só para passar o tempo em um montinho sobre o sofá. E Deus sabia o quanto odiava cerveja, mas Ele também sabia que odiava mais a ardência que destilados mais fortes deixavam na garganta. E claro que não pediria vinho em um bar frequentado tão diversificadamente, sair para a noite sozinha não era para quem dava pinta de uma moça requintada – não que fosse.

Seja como fosse, só precisava justificar para si própria o porquê de ir para um bar a alta altura da noite, sem companhia, e por se a beber sem contar quantas já foram, não que achasse que já estava bêbada.

Mas é que talvez já estivesse.

A mesa tinha dois lugares com bancos altos, realmente gostaria de estar jogada confortavelmente em um dos pufes nos fundos, mas a pouca claridade dava abertura para confundirem o bar com um motel e seria deveras constrangedor sentar-se lá sozinha, por isso seus pés se penduraram enquanto debruçava sobre a mesa levando a pequena garrafa de vidro aos lábios.

O palco alguns metros a frente por vezes abrigava cantores – alguns bons, outros nem tanto – lembrava-se de ter se remexido ao som de uma música country mais cedo, curtido um jazz depois, lembrava-se também de ter sofrido quando uma mulher subiu ao palco e cantou um blues – é que ela havia entendido a música. E então depois um homem tomou seu lugar, dedicou a música a um velho e agora já começava a terceira música consecutiva, e aquela ela conhecia muito bem.

Time, it needs time

To win back your love again

I will be there, I will be there

Love, only love

Can bring back your love someday

I will be there, I will be there

O calor corporal do local a sufocava ao mesmo tempo que a fazia sentir-se viva, soltou os cabelos do coque que não se dera o trabalho de arrumar ao sair de casa e deixou o cabelo cair em curtas cascatas emoldurando seu rosto, escondendo seu semblante.

I’ll fight, baby, I’ll fight

To win back your love again

I will be there, I will be there

Love, only love

Can break down the walls someday

I will be there, I will be there

O momento estava lá, ainda lembrava-se de quando costumava cozinhar com a mãe, e o vizinho colocava essa música e ela comentava que era a única de qualidade que ouvia, riu sozinha enquanto se desviava de mais um.

If we’d go again

All the way from the start

I would try to change

The things that killed our love

Your pride has built a wall, so strong

That I can’t get through

Is there really no chance

To start once again

I’m loving you

Aquele refrão realmente a deixava em um estado… Feliz, não era uma romântica, longe disso, aquela melodia apenas parecia certa demais, lhe deixava leve, a fazia ousar.

Try, baby try

To trust in my love again

I will be there, I will be there

Love, our love

Just shouldn’t be thrown away

I will be there, I will be there

A outra estrofe havia se esvaido no passado não muito distante quando ela e sua garrafa de cerveja ruim alcançaram o palco, capturou um microfone jogado sobre um banco e o ligou.

If we’d go again

All the way from the start

Os dois primeiros versos saíram um pouco roucos interrompendo a concentração do cantor, ela perdeu uma pensando se deveria continuar, mas ele continuou e lhe sorriu encorajando. E quem afinal poderia resistir a um sorriso encorajador, sempre gostara de cantar quando estava sozinha, às vezes se empolgava e cantava acompanhada e sempre lhe pediam para parar, mas nunca realmente tentava. Ninguém realmente lhe encorajava.

Até agora.

I would try to change

The things that killed our love

Your pride has built a wall, so strong

That I can’t get through

Is there really no chance

To start once again

Quando a última estrofe se iniciou estava a mercê da música, se mexia lentamente ao ritmo, às vezes exagerava jogando a cabeça para trás e deixando a voz sair e parecia ter contagiado sua dupla, que se levantou tomando o .

If we’d go again

All the way from the start

I would try to change

The things that killed our love

Yes, I’ve hurt your pride, and I know

What you’ve been through

You should give me a chance

This can’t be the end

Eram agora os últimos versos e não se lembrava da última vez em que fizera algo tão vivo e espontâneo, se aproximou do cantor e seu violão, e com a garrafa da bebida de cevada e o microfone em uma das mãos, depositou a outra em um dos ombros do mesmo, e procurando os olhos do desconhecido deixou escapar então os versos finais em um desafino.

I’m still loving you

I’m still loving you

I’m still loving you, I need your love

I’m still loving you

E talvez, estivesse muito disposta a dar uma chance aquele sorriso encorajador, afinal havia a possibilidade que estivesse um pouco bêbada e por demais encorajada.

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