CONTOS DE BAR, 5. Philosophy of freedom

Ah! O bar, rs’

Então o bar é o ponto de partida pra quando to pensando coisa com coisa;

Caso se perguntem se é conforme vou bebendo vou escrevendo, já digo que não, essa sou eu sem nenhuma substância. MAS, podem reparar que depois que o personagem perde as contas de quanto álcool ingeriu, ela dá uma… libertada;

Então fiquem com mais um ser perdido no bar, boa leitura 😉

separador21

Sorveu o primeiro gole da cerveja, queria café. A música do bar vinha de altos falantes, provavelmente alguma banda da região tocaria mais tarde, ou aquela era a quarta do karaokê? Aliás, que dia era hoje? Fitava um ponto fixo bem abaixo de uma lâmpada até a vista embaçar, o cabelo volumoso esquentava o pescoço, mas sentia-se mais livre assim, sem amarras. Sorriu para ele quando chegou e sentou-se no banco alto a sua frente, o mundo parecia lhe pesar, gostava de rondar sobre o que as pessoas pensavam – Então, como você está? – perguntou.

– Bem – ele respondera, mas ela entendera, Uma droga, lembra quando achávamos que crescer nos libertaria? – e você?

Gostaria de me sentir mais viva, mas apenas não sinto nada! Acho que isso é Bom – ela sorriu e ele pediu mais duas garrafas. Eram velhos conhecidos. – Como anda a vida?

– Trabalhando, muito. Demais, é errado ainda sonhar com o sonho adolescente de pegar um carro e dar adeus pra tudo? Mas vou ter férias em breve. E você?

Estudando. Sentindo-me inútil, acho que até um trabalho de garçonete me faria sentir melhor. Pensando no futuro.

– Tá certo – ele riu, falara alto o que pensara? Ou fora a pontada de sarcasmo qual ria com a vida? À merda o futuro, aquele já era o futuro e não mudara muita coisa, só ensinara a disciplinar os sonhos, que eles se adaptavam a quanto tinha no banco, e definitivamente amor não era prioridade, o dinheiro era.

Bebeu o resto da garrafa, e dividiram a terceira, vodka depois, não contara mais o que, só que as luzes acima pareciam piscar e só uma coisa ela não abrira mão esse tempo todo, liberdade. Ele perguntara como, ela filosofara e pra ele fez sentido. Faça o que quiser, enfrente quaisquer que sejam as conseqüências, desde que não se arrependa pelo que não fez, aceite o mundo, não o questione, não vale a pena. Se rebele sendo não convencional, mas tão melhor quanto qualquer outro, seja você mesmo, é a única coisa que ainda não é vendida, uma dose de você mesmo.

Um homem cantava no palco, não havia percebido quando ele tomara o microfone, mas ela rira, quarta do karaokê. Ela sorriu para o outro a sua frente, parecia procurar uma verdade, qualquer coisa que fizesse sentido, ela lhe sorriu, porque às vezes era tudo o que queria do mundo, que ele sorrisse. Não sabia se havia tido efeito, mas levantou-se do banco um pouco zonza e o puxou pela mão do seu levando-o para frente do palco, a música lhe agradava e ela se balançava de leve, os braços desnudos pela camiseta se arrepiaram a um vento vindo não sabia de onde.

Uma jovem se animou tomando um microfone e se juntando a cantoria do homem, e ela gritou aprovando a atitude da desconhecida em um riso sem motivo, ao seu lado o homem pareceu se animar também se balançando ao ritmo. Não sabia se ele seria capaz de por em prática suas lições de liberdade quando o álcool saísse de seu sistema, provavelmente não, era altruísta demais.

Mas esperava que sim, ignorar o mundo a volta fazia a vida menos sem sentido. Ela sorria para qualquer um, fazia das pequenas gentilezas esquecidas do dia-a-dia sua revolta, tentava lembrar-se de cada boa conversa com desconhecidos como forma de honrar pelos minutos agradáveis em um dia comum, os julgamentos não poderiam ser capazes de direcionar sua vida. Alguns a viam como uma louca, outros como uma jovem gentil, acreditava que era mais do que ela e os outros compreendiam, cada um era, era uma vida, um milagre por si só, por isso era quem queria ser, liberta.

Mais tarde aquela noite, quando voltavam para casa, ela riu se pondo a cantar desafinadamente junto a ele pelas ruas como um protesto ao silêncio, ela sorria vendo-o seguir caminho na madrugada da quarta do karaokê.

– Até logo – ele disse.

– Até – e dessa vez, ela acreditava, era realmente só aquilo que queriam dizer.

Fazer do mundo paraíso era sua maior mentira, embora também sua mais completa liberdade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s