Blues Maldito

artista Fabian Perez

artista Fabian Perez

E deixa a música tocar pela manhã

O Blues Maldito que te faz dançar

 

E quão bom é sentir-se miserável?

Quem vai dizer que é errado, menina?

 

Não se vicie assim tão rápido

Toda melodia se encerra uma hora

 

Pule, se jogue, deixe-se enlouquecer

O tempo é limitado, sua saída para se encontrar

 

Deixe o Blues Maldito te envolver

Seu corpo suar enquanto se remexe

 

Pinte os lábios e saia ao mundo

Seu palco para a dominação

 

Não importa o quão vazia seja

Desde que caminhe sorrindo

 

A marcha do Blues Maldito

Batom Vermelho

Estava a andar por aí – outra cidade, outros cantos – quando fui bombardeada com uma poesia. Caderno à mão e lápis, e deliciem-se com essa pequena fantasia.

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E há quem diga que detalhes se desfazem, apenas pequenos prazeres de um olhar rápido

À esses que tão pouco significa nada, ainda não presenciaram o poder de um batom vermelho

Maquia-se como uma menina

E avermelha os lábios como uma mulher

E ela veste-se após debater-se em desgosto que no guarda-roupa lotado não há nada que lhe ressalte a beleza

Corre com os pés no chão frio e sobe nos saltos como se fosse seu pedestal

A cada volta um olhar

A cada retoque um suspiro

E esse ritual sempre tão dedicado – em pequenos detalhes, como se o encanto ainda fosse primário – libera o perfume da flor do coração

Porque quando pinta os lábios, a menina se torna mulher

Insanidades

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Corre chuva pelo vidro lá fora, escorre até perder-se em poças. Molha o chão, lava, e se esvai.

Amanhã quando o sol nascer, não será nada mais do que lembranças de raios e trovões que fazem tremer os mais covardes.

Mas seu vento selvagem que se embrenha pelos vãos, uiva em procissão, acolhe-me tão protetor que medo é apenas um conto para conter a impiedosa paixão pela aventura.

Tem pensamentos que me rondam, me instigam ao pior – inatingível – o pior.

E são tão confortáveis como canção de ninar.

Tão errôneos que me envergonham pensar.

Tão terríveis que se fazem belos ao aceitar.

É que o espírito é vingativo, mas o corpo se controla e deixa-se remoer em insanidades, se perder em meio à tempestade.

Na face apenas um riso provocativo que brinca, no papel parte da alma que escapa.

Sorrateira e furiosa. Liberta-se sombria.

Das palavras que brincam na perturbada mente, gentileza é um mito.

Os mais verdadeiros sorrisos são vermelhos, banhados em suor da batalha que habita os sonhos.

A cada passo em que a delicadeza domina, são armadilhas cruéis a quem atrever-se a ponte atravessar.

Mas venha e alegre-me.

Deixe-me fazê-lo sangrar, gritar, implorar por um resquício de humanidade.

Porque meus olhos mentirosos enganam a quem acha ver perdão. São dois poços de rancor, sedentos por rasgar sua carne, e deixar à podridão.

Mas venha querido, olhe em meus olhos, se distraia com meu sorriso, enquanto lhe empurro em um abismo.

Entrelinhas

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É que existe uma mentira bem no canto dos lábios a cada promessa que a voz deixa eterna.

O sempre será enquanto não despir-se

As juras só se valem enquanto existe uma alma

 

E tudo se perde quando a mente se consome e a verdade então reinventa-se, cria-se como um recém nascido.

O eterno nada mais que o passado

E o sempre é um mito feito de juras esquecidas

 

E nesse labirinto de verdades e mentiras, a vida se recria…

 

Passos

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E quando observou pela janela a noite, a lua parecia uma pintura, com manchas denominadas nuvens a tampar sua beleza. Mas nenhum sentimento lhe foi despertado.

Era como estar submerso em águas cristalinas, e ao mesmo tempo que observava as belezas inimagináveis, também se afogava.

E provavelmente se lhe fosse presenteado o dom de voar, pularia em um abismo sem mentalizar para que as asas serviam.

Poderia rir pelos Reinos que se declinavam e chorar pelos Impérios majestosos que surgiam.

Na vida eram apenas passos em uma estrada que se criava sozinha. Atrás um enigma, e a frente não se enxergava.

Apenas seguia.

Irritante e Dissimulada

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Seu sorriso era dissimulado, como se vivesse para provocar. Provocava a si mesma a ponto de irritar e ela parecia não querer nada mais do que se perder em meio as ritmadas batidas que escutava. Mas é que sua mente era uma consciência gritante, e ela só queria dizer para que ela se calasse, então como uma adorável criança pirracenta em seus tênis sujos de lama, ela aumentou o som de seus fones e dançou, pulando, como se mais dez mil pessoas lotassem a rua ao seu lado. E pela calçada vazia, sobre a suave garoa, ela dançou embalada pela melodia para que sua mente se calasse em êxtase.

Rotina da Alma

124Caiu a rotina, sobre a alma acostumada ao drama absurdo

Ela sorria por poder chorar pela aventura do sofrimento

Era a alma perturbada que dançava em meio às lágrimas

E da rotina eu tinha medo de que ela fugisse em meio ao vento

Correndo para aquelas terras devastadas, e um tanto imprevisíveis

E minha alma silenciosa sentada à uma mesa com um café meio amargo

Gostava de aventurar-se nas coisas mais simples que encontrava

Tinha paixão pela rotina, só lhe importava com quem compartilhava

Bastava um sorriso matutino para satisfazer o espírito voraz

Então me desculpe se eu uma vez ou duas gritar em desespero

Mas acho que quando sua alma me apresentou o drama absurdo

Medo a minha teve de nessa teia se enrolar e a xícara se espatifar

E perguntou-se a si mesma se um dia poderia ao meu modo se aventurar