CONTOS DE BAR, 1. Red Storm

  • Para iniciar o ano por aqui um conto originado do nada, mas que foi um enorme prazer escrever;
  • Os trechos são da música 60 Feet Tall, da banda The Dead Weather;
  • Ainda não sei se haverá continuação.

separador21

124

Nunca gostara daquela maldita coisa, exalava um cheiro horrível que parecia seguir você por todos os lugares depois da primeira tragada, levava o corpo a um estado repugnante entorpecendo enquanto matava, mas encaixava-se tão perfeitamente por entre os dedos, e sempre parecia uma carícia suave aos lábios fossem eles ressecados ou belamente hidratados com cosméticos que tinham mais nome do que realmente ofereciam todos os prós escritos.

Talvez fosse por isso que levou o cigarro aos lábios com tanta raiva, mordendo-o como se fosse a carne de um inimigo. Percebera tarde demais o gesto que o fez cuspir a qualquer canto do chão imundo amassando a ponta no balcão ao lado do copo de whisky intocado.

É que precisava de algo prejudicial, qualquer coisa que o fizesse se sentir um bastardo, e não queria perder a consciência no processo. Precisava de um vício para após ganhar dinheiro durante todo o dia trancado em um maldito escritório sem ter nunca tempo para gastá-lo.

Arrastou-se da banqueta colocando os pés no chão sem ter certeza do destino, passou as mãos aos fios de cabelo ao ponto de arrancá-los, por fim caminhou entre os muitos bêbados que se dividiam pelo bar, era sempre o mesmo cenário, beijos vulgares demais para serem mostrados ao público, jogadores apostando se entretinham em mesas de sinuca e baralho, uma bandinha qualquer de jovens revoltados tentavam resgatar o rock’n roll no palco improvisado e alguns acompanhavam sua resistênciaberrando em meio as músicas fazendo um feio coro.

Parou levando as mãos vazias aos lábios, por força do hábito, frustrando-se em perceber o quão habituado já estava àquela maldita droga, o solo estridente de guitarra chegou ao fim e uma canção mais calma se iniciou, um blues envolvente.

Ela tomou o palco em um vestido vermelho longo de alcinhas e botas acompanhando o ritmo, totalmente deslocada em meio àquele mar escuro quais as pessoas se sentiam mais poderosas, mas a morena era visivelmente uma mulher que não precisava de nada para se provar dona do próprio destino.

You’re so cruel and shameless
But I can’t leave you be
You’re so cold and dangerous
I can’t leave you be
You got the kind of loving
I need constantly

Sua voz não tinha nada de espetacular, mas sua solidão era sentida em cada verso, suas mãos sempre eram levadas aos cabelos revoltando-os mais a cada vez que os puxava para cima e depois os deixava livres para se espalharem.

Two eyes none the wiser
In the deep
When the water gets hotter
Both hands in the deep

Ela levantava o vestido como se para não pisar em sua bainha e logo se perdia em mais algum movimento. Não olhava nada específico, mas tinha os olhos mais profundos que já se lembrava de ter visto, um castanho comum com um toque de poeta que fala de amor mas que nunca aprendera amar, eram mentirosos e manipuladores, desses que enganam à primeira vista e na segunda já se está rendido.

Mas sua presença revelava a qualquer que desse uma boa olhada, era um espírito livre, indomável, uma completa perda de tempo.

A canção chegou ao fim em um tom desafinado e sua saída fora tão repentina quanto sua chegada, caminhou para fora do palco atravessando em meio a todos e se tornando um vulto vermelho quando a porta do bar se fechou às suas costas.

I can take the trouble
Cos I’m 60 feet
Tall

Ele sorriu sem aparente motivo, tomando também o rumo da saída. Ainda encontrava-se hipnotizado em como ela transformara aquele ritmo em algo tão envolvente ao mexer sutil de seus quadris, arrancou os cigarros restantes do bolso interno de sua jaqueta abandonando-os sobre uma mesa qualquer, aquele era um mistério que estava mais do que disposto a descobrir.

separador21

Continuo ou o mistério é mais envolvente?
Espero que tenham tido uma boa leitura, beijo meio amargo ;*

Anúncios

Irony of Fate – Único

Essa história é um breve momento no futuro dos protagonistas de Irony of Fate – outra história minha, postada aqui. Tive uma súbita saudade do meu casal complicado e perfeitinho, então fui obrigada a “visitá-los”. Não é preciso ler a outra história para entender essa, só os nomes mesmo que coincidem além de tê-los imaginados enquanto escrevia.

No mais, divirtam-se 😉

separador21

02

Classificação: +13
Categorias: Originais
Gêneros: Romance
Avisos: Heterossexualidade

Capítulos: 1 (543 palavras) | Terminada: Sim

separador21

Cinco Minutos Para o Fim do Mundo

Eles haviam dito Adeus, e o café estava quente por sobre a bancada. Era o último adeus, e o frio e chuvoso domingo era cruelmente reconfortante. Uma promessa mútua de dois amantes, a cafeína desceu sobrepondo o peso em sua garganta.

Porque já não havia modos de continuar, mas de nada adiantou e as lágrimas desceram.

Seus sonhos estavam se sobrepondo, mas o mais importante; deixaram ultrapassar o amor que sentiam, e agora ele estava pra pegar um avião para além do que ela podia alcançar, para o fim do mundo, e ela simplesmente não podia agüentar.

Mais um Adeus quem sabe, apenas mais um antes de vê-lo seguir em frente, talvez um beijo pra marcar que foram bons tempos. Não, não podia apenas deixá-lo ir, e sua constatação foi tão repentina que a xícara de café foi ao chão e em minutos ela dirigia em sua direção.

 Porque ele sempre será meu caminho…

Tão idiotas, sem acordos, apenas souberam gritar e magoar, no calor do momento, e quão cruel havia sido tudo lhes dando pouco tempo para pensamentos. Ele havia sido chamado para uma chance única de trabalho dos sonhos, fora do país, e ela não podia pensar em perder tudo o que havia conquistado na cidade que a havia a acolhido, cogitaram a distância, mas mais mágoas foram carregadas. E era algo tão superficial agora que ela pensava que não podia pensar em mais nada além de se socar, mas daria um jeito naquilo.

– O vôo para Dublin, já saiu?

– O avião irá decolar dentro de cinco minutos, senhora. Os portões já se fecharam! Obrigada, próximo.

– Mas… – Oh! Como gostaria de socar a atendente ranzinza, ou apenas chorar nos braços dele como uma criança dizendo o quão idiota fora, enquanto ele depositava um beijo suave em seus cabelos.

Ela caminhou lentamente para o vidro imaginando em qual avião ele poderia estar, deixando as lágrimas escorrerem por sua face em uma revolta muda.

– Cinco minutos para o fim do meu mundo. – Colou a testa no vidro e bateu o punho fechado, fungando. – E eu o mandei ir…

– Emi?

Não, ela não podia acreditar, os portões já estavam fechados, e ele estava voando agora para outro país. Não estava?

– Diogo? – Não, ele não estava. E ela riu e chorou ao mesmo tempo em que corria para os braços estendidos dele. – Oh Diogo, eu achei que havia te perdido. Deixado você ir, por uma besteira qualquer…

– Emi, Emi! Minha tentadora e impulsiva Emi. Acho que nos demos conta da idiotice a tempo. – Ele disse a abraçando e depositando um suave beijo em seu cabelo, e ela só pôde sorrir reconfortada. – Imagine que eu estava pensando em nós quando vejo uma louca bater no vidro e resolvo tentar ver o que acontece, e então é você! – Ele disse rindo.

– Não me importa onde estarei Diogo. Desde que estejamos juntos. – Ela lhe sorriu de volta.

– E não existirá mais Adeus para nós.

– Nunca mais.

– Eu te amo… – Foi a última coisa que ele disse antes dela puxá-lo para apoderar-se de seus lábios. Tentadora e Impulsiva Emi, o fim do mundo teria que esperar mais do que cinco minutos, a eternidade se dependesse dela.

[Irony of Fate] Guia

Então gente! Como o nome já diz, é um guia da história, porque combinemos que postar em formato de blog é uma droga pra ler X3

Então a fim de facilitar futuros leitores, eis o Guia! Tchamrãm :3

Basta clicar na imagem do capítulo que você será imediatamente direcionado ao capítulo correspondente! Whe’ *-*

separador21

Sinopse – Prólogo

capa1

separador21

Capítulo 1

1

separador21

Capítulo 2

2

separador21

Capítulo 3

3

separador21

Capítulo 4

c4-

separador21

Capítulo 5

5

separador21

Capítulo 6

6

separador21

Capítulo 7

7

separador21

Capítulo 8

8

separador21

Capítulo 9

9

separador21

Capítulo 10

10

separador21

Capítulo 11

11

separador21

Capítulo 12

12

separador21

Capítulo 13

13

separador21

Capítulo 14

14

separador21

Capítulo 15

15

separador21

Epílogo

124

[Irony of Fate] Epílogo

124

Epílogo

A brisa de fim de tarde transmitia um certo conforto aos presentes, uma música suave tocava enquanto os convidados dançavam em volta do casal que se movia com leveza e sincronia, a noiva estava bela e o marido mais sorridente impossível, era palpável e contagiante a felicidade dos dois. Porém eram fatos alheios ao outro casal que se moviam próximos e sem desviar os olhos.

As notas calmas de nada se pareciam com o calor que transmitiam um para o outro, estavam em meio a tantos casais que se passavam apenas por mais um, mas qualquer um que parasse pra reparar apreciar-vos-iam tanto quanto os donos da festa que estavam ao centro.

Sem dúvidas era paixão, mas os movimentos lentos e suaves dele ao reparar cada detalhe dela, mesmo que um fio de cabelo fora do lugar e apreciar com gosto também revelavam que havia amor envolvido.

Quem imaginaria que Diogo se revelaria assim tão à mercê de uma mulher?

Ou que Emi, tão independente como era, amaria de forma tão simples?

Haviam chegado à cidade natal de Emi à uma semana. Resolveram tudo no trabalho para então viajarem juntos e Peter ficou tão feliz pelos dois que não ousou interromper os planos, Emi adiou as férias, e Diogo teve que levar um pouco do trabalho consigo, mas nada que o atrapalhasse.

Não moravam juntos, ao menos não ainda, de certa forma ainda era o início de um relacionamento, mas nada que os impedisse de pernoitar um na casa do outro, e aquilo era tão constante que talvez em pouco tempo estivessem juntando as escovas de dente, porém preferiam a calma e o jeito estabanado com que se relacionavam.

Defeitos, manias, e tudo o mais foram se revelando, mas no fim tudo não passava de uma eterna piada entre eles.

Quando a novidade chegou aos ouvidos da melhor amiga Donna, o surto e o susto foram grandes. Apesar de todas as vezes que dava conselhos para Emi, nunca imaginou que ela acabaria seguindo ao menos um, principalmente por ser uma eterna cabeça-dura. Mas não só ela, quanto também Emi levou um susto ao saber que a amiga estava grávida, e teriam que adiantar o casamento. E claro, ela seria a madrinha de mais um casamento, aliás, um feliz casamento.

E casamento era a palavra chave ali, Sophie, a agora esposa de Ethan realmente era um amor de pessoa, e não demorou em que Emi se visse entregue à compras, contos e gargalhadas, principalmente para encher Donna, que também estava ali para o casamento, de roupas para o bebê. Era tudo tão natural quanto a muito não era, mas sem dúvidas a mais feliz da história foi sua mãe.

A senhora Willians não pôde esconder o quanto estava feliz de ver a filha finalmente com um namorado do lado, sem aventurar-se pela noite. Talvez, porém, um surto teria sido evitado se não houvessem contado para ela como se conheceram.

Dentro de uma semana, partiriam para a cidade de Diogo para conhecer seus pais, a irmã, e o sobrinho que havia nascido a pouco tempo. Era ela, sua irmã, que ele esperava presentear com o convite para a festa da Big Think a um tempo atrás, porém infelizmente, seu estado não a permitiu. Havia acabado de dar à luz ao primeiro sobrinho de Diogo, e o homem contava aquilo com tanta emoção que contagiou Emi de forma única.

E pensar o quanto sua vida havia mudado em tão pouco tempo, não de forma agressiva, mas confortadora. Ela sorriu ao olhar para Diogo ao fim da música, parando de dançar lentamente, o homem lhe sorriu de lado, seus olhos transmitindo lhe uma mensagem única fazendo seu corpo esquentar. Ele depositou um beijo casto em seu pescoço, e ela arranhou-lhe a nuca suavemente sentindo seu cheiro amadeirado. Ele a puxou disfarçadamente pela mão para deixar a festa, se despediria do casal mais tarde, outra hora.

Agora, apenas permitiria se perder nos braços quentes do homem ao seu lado, em meio à um caos de roupas jogadas pelo quarto.

-The End-

separador21

guia

anterior

[Irony of Fate] Capítulo 15

Engraçado que o fim ficou menor que os outros capítulos >_<

Mas convenhamos, eles só precisavam de uma boa conversa 😉

A todos que leram, meu muito obrigado! E já aviso que ainda vai ter um epílogo, portanto não se desapeguem tão fácil desse casalsinho sacana e louco :3

Seus batimentos dispararam e a mente enevoou, Emi não havia encontrado voz para respondê-lo, e isso causou uma pontada de irritação no homem.

– Ia viajar e não ia me contar, Emi? – Ela olhou-o assustada, nunca havia o visto tão fora de si, afinal não fora ele mesmo quem havia dito que eles não tinham mais nada? Aliás, que nunca tiveram – Responde caramba! Para onde ia? – Ele exigiu saber e ela soltou a resposta automática.

– Para o casamento.

– Casamento? – Ele perguntou pensativo para então sorrir sem humor – Com Ethan, não é? – Ela assentiu alheia ao sentido que ele havia dado às suas palavras.

Sentiu-se pequena e feliz por ele estar ali. Era tudo tão confuso, tentou caminhar para dentro da casa em busca de apoio, mas mal deu três passos e ouviu a porta bater e seu corpo ser jogado no sofá em seguida, tão rápido que a paralisou, Emi sentiu-se deitada no espaçoso sofá com Diogo por sobre si.

– O que raios está fazendo Diogo? – Ela tentou manter o controle, mas sua voz não passara de um sussurro calado pelo olhar dele.

– Emi, eu te quero pra mim. – Ele confessou afogando-se no cabelo dela esparramado pelo pescoço, suaves carícias surgindo e crescendo, as mãos passaram a deslizar inquietas relembrando-os um do corpo do outro, e as lembranças junto às sensações apenas os levou até o momento em que as roupas se tornaram um impasse e ele arrancou as peças, o caos de peças de roupas faziam uma trilha até o quarto no segundo andar, onde ele a deitou sem pressa, não precisou muito para que se vissem entregues à luxúria, mas também havia paixão entre os olhares e toques que tomavam proporção pouco a pouco.

Eram amantes em sincronia, e em especial naquele momento, a brutalidade de Diogo, só fez Emi implorar por mais, sem saber exatamente pelo quê, torturando o homem enquanto se contorcia embaixo de seu corpo.

– Você é minha Emi, de mais ninguém. – Ele lhe sussurrou a trazendo para sua hipnotizante nuvem de prazer.

– Só sua… – Ela prometeu assentindo enquanto ele a penetrou profundamente.

Os gemidos acompanhavam o ritmo das estocadas, ora rápidas quase os levando à loucura, ora lentas em uma tortura gostosa enquanto procuravam o êxtase sublime.

E quando chegou, foi tão arrebatador que ele se demorou em retirar-se dela.

Diogo deitou a cabeça sobre o peito de Emi enquanto ela lhe acariciava os cabelos puxando hora ou outra, estava levemente ofegantes e o silêncio pairou entre os dois. Emi sem saber o que pensar, esperou ele falar algo impacientemente, não sabia o que pensar e impulsionada ela pronunciou seu nome suavemente, sentiu ele lhe rodear a cintura de modo desajeitado apertando-se contra seu corpo como em um pedido mudo de uma espera. Demorou um pouco até que ele finalmente falasse:

– Emi, não se case com Ethan.

– O quê? – Ela perguntou descrente que havia escutado direito.

– Por favor… – O apelo dele fez um riso escapar-lhe da garganta, e logo todo seu corpo reverberava em uma sonora gargalhada – Isso não é engraçado Emi.

– É sim – Ela falou enxugando uma lágrima no canto dos olhos devido ao riso. – Eu não vou me casar Diogo.

Ele levantou a cabeça com os olhos arregalados.

– Mas como assim?

– Oras! Eu ia para o casamento dele. Sou a madrinha, foi isso o que ele veio fazer aqui. – Ele continuava parado a fitando – Se pudesse ver sua cara agora – Ela ainda ria.

– Tsc! – Ele repousou o rosto sobre a barriga dela de modo desajeitado meio sem jeito, e ela puxou seu rosto lhe dando um beijo casto.

– Achou mesmo que eu trairia assim tão facilmente?

– Não sei, não pensei muito. Só me deixei levar pelo…

– Ciúmes? – Ela perguntou com uma pontada de satisfação.

– Hey! Não fique assim sorrindo com essa carinha sexy para mim. – Ela voltou a sorrir mordendo os lábios enquanto ele depositou um beijo estralado em sua bochecha – É que vocês pareciam tão íntimos, tão a vontade.

– Você estava certo antes, realmente temos uma história – Ele ia interrompê-la, mas Emi tampou sua boca com as mãos – Mas isso ficou no passado, agora somos apenas amigos – Os olhos dele ainda se encontravam inquietos – Pelos céus, Diogo! Eu sou a madrinha de casamento dele e estou aqui com você. Além do mais alguém resolveu me marcar como propriedade privada e eu acabei gostando da história

Ela falou em um clima descontraído.

– Desculpe-me? – Ele pediu acariciando-lhe a face e ela assentiu – Sabe que nem eu sabia que era tão possessivo assim? – Ele deslizou a ponta do nariz pelo pescoço dela rindo suavemente, a trazendo aos poucos de volta para o clima de luxúria. – E sabe que não me enjôo de ouvir você gemer meu nome?

Ele mordeu seus lábios enquanto ela sorria extasiada, se entregaram e em algum momento se perderam em olhares e se declararam.

Eu te amo… – Em alto e bom som ou pensamentos compartilhados, não sabiam ao certo, só tinham certeza do sentimento. Amavam-se e aquilo mudaria suas vidas, mas nada mais importava se estivessem juntos.

Agradeceriam ao destino, as ironias impostas.

separador21

guia

anterior

próximo

[Irony of Fate] Capítulo 14

Quando o despertador tocou naquela manhã, a muito já estava de pé, tinha dúvidas até se havia dormido. Os olhos estavam um pouco inchados pelo cansaço, mas sua mente era a mais atingida sem dúvidas, coisa qual ela estava a ignorar com xícaras de café enquanto conferia os últimos itens de sua mala. Bocejou indo pro banho e se permitiu o luxo de desperdiçar algum tempo na banheira afundando-se na água de sais. Brincou com a espuma distraída, seus pensamentos ora tão leves quanto uma pluma ora tão intensos quanto um trem descarrilado.

– Tsc! Acho que voltei a ser uma adolescente. – ainda mal acreditava do que havia se dado conta na noite anterior, se sentia meio masoquista, mas estava disposta a acabar com aquele sentimento antes que crescesse mais – Amor – Emi pensou com um falso sorriso –Te conheço, nem te quero, me abandone…

Se recuperaria, assim como fez antes. E foi com esses pensamentos e a confiança renovada que ela saiu da água já fria, estava se aproximando da hora de seu vôo.

O luar entrava pela janela do quarto contornando as curvas suavemente, dando um ar misteriosos à mulher que parecia sorrir enquanto deslizava as próprias mãos pelo corpo nu de modo lento e excitante. Ela dava gemidos sôfregos enquanto parecia torturada em busca do êxtase.

E ele a fitou perfeitamente em sua frente tentando observar seu rosto na escuridão, esticou as mãos para tocá-la, mas não podia alcançá-la.

Então para quem ela se insinuava tão intimamente?

A visão embaçou e ela subiu e desceu formando um movimento contínuo a partir daquele por sobre a superfície qual estava, ao mesmo tempo que uma segunda voz se pronunciou em um ôfego.

– Isso Emi…

A raiva lhe subiu ao mesmo tempo que a visão o excitou. Ele reconheceu aquela voz e a cena entrou em um foco perfeito assim que o nome dela foi pronunciado. Emi cavalgava veloz sobre Ethan e os gemidos do casal enchiam os ouvidos de Diogo sem lhe dar opção.

Tudo o que queria era arrancá-la de cima dele, socar o homem que ousou tocá-la e fazê-la dele de modo que Emi nunca mais pensasse em outro, mas nada fez.

Não podia, nem conseguia, e quando acordou ofegante, suado e excitado, seu único pensamento coerente se voltava para aquela que havia deixado ir na noite anterior, e que realmente poderia estar nos braços de outro agora.

– Não, não podia… Porra, ela é minha! – Ele falou revoltado quando só pensar não foi suficiente, e sem pensar duas vezes, se levantou decidido, iria atrás dela.

Big Think deveria estar um completo alvoroço, para não dizer caos, gostaria de vê-los já que nem ao menos ficou até o fim da festa, mas a simples ideia de encontrar Diogo a aterrorizou a ponto de parar por um momento sentando-se no sofá.

Ela não havia chorado, não sabia se por ser forte ou por ser teimosa ou porque todas as vezes que pensava nele – mesmo que para xingá-lo mentalmente – um sorriso idiota surgia-lhe à face inconscientemente.

Ousou compará-lo com Ethan, do qual era tão dependente quando estavam juntos, de seus medos constantes de não ser boa o bastante para o mesmo. Eram tantas dúvidas que seu coração sempre estava apertado, a angústia e ansiedade brincavam com sua mente, como uma obsessão desmedida. Tudo aquilo chegava a fazer mal.

Tanto ao ponto que ele achou melhor se afastar.

– Era isso o que ele era, não é? Uma paixão obsessiva… – O fato de conseguir pensar no caso antigo com um sorriso nos lábios era um feito que tentou por anos, e agora ali estava ela, rindo de tudo espontânea e sozinha.

Ela concluiu agora pensando agora no caso com Diogo. Idiota e excitante, se completavam de maneira tão oposta que chegava a ser uma brincadeira entre amigos, simples como respirar, vivo como um dia de sol, não precisava de mais definições. Sentiu-se corajosa, e rindo solitária decidiu.

– Desculpe-me Ethan, mas preciso ficar e lutar. – E foi após isso, que a campainha tocou.

Quando se levantou para atender a porta achou que fosse Ethan que havia chegado para buscá-la, e por isso marchou decidida para lhe explicar o que havia decidido. Ele já sabia de toda a história e até mesmo havia encorajado-a. Depois que Diogo havia lhe deixado, a única coisa que conseguiu foi alcançar Ethan e pedir para levá-la embora, e ele, claro, quis saber o que estava acontecendo.

Lembrou-se envergonhada de contar para o mesmo todo seu estilo de vida e o que havia acontecido nas últimas poucas semanas. Ele desaprovou, mas não se agüentou em não rir dela. Lembrava-se do mesmo ter falado – Isso é castigo por ter sido uma menina má – E ainda completou a chamando de covarde para depois incentivá-la a lutar.

Ela abriu a porta animada, porém qual não foi sua surpresa ao ver o motivo de sua decisão bem ali, parado em sua porta.

Seus olhos se fixaram nela a fazendo se sentir exposta. Procurou seus lábios e estes estavam em uma linha reta e ela deu um passo para trás estremecida, ao vê-los. Se segurou para não tocá-los com as pontas dos dedos em busca de seu sorriso. Sua coragem sendo desconcentrada pelas pernas trêmulas eram um problema presente, e quando ela abaixou o olhar e ele desviou os seus para o canto da sala onde estavam as malas, sua pergunta saiu direta e incômoda.

– Vai viajar?

separador21

guia

anterior

próximo

[Irony of Fate] Capítulo 13

Ela suspirou sentindo a língua dele tomar passagem por entre seus lábios sem esperar consentimento, bastou Diogo senti-la passar os braços por seu pescoço abraçando-o para que se virasse se encostando à parede mais confortavelmente a mantendo presa em seus braços.

Suas mãos escorregaram pelas costas dela parando no bumbum, o frio e leve tecido do vestido de nada a poupava das sensações constantes, acariciou a nuca dele arranhando o local de leve ao passo em que ele tentava encontrar uma abertura em seu vestido.

Os beijos cada vez mais calorosos.

– Será que não podia ter vindo com um vestido curto?

– O quê? – Emi perguntou imersa nas sensações deixando-se guiar por ele passivamente.

– Achei! – Ele mordeu seus lábios enquanto sua mão adentrou o vestido dela pela abertura das costas. Diogo desceu sua mão lentamente pelo bumbum da mulher até alcançar sua intimidade com a ponta dos dedos, fez um contido movimento por sobre a calcinha e em seguida apertou o local de leve.

– Oh Diogo! Não…

– Não o que? – Ele atravessou a outra mão em suas costas conseguindo rodeá-la com seu corpo em um abraço apertado, dedilhou o início da curva do seio lhe provocando um calafrio na espinha e uma cócegas gostosa, ao mesmo tempo em que ela escorregou ambas as mãos do pescoço de Diogo parando em seu peitoral sem forças para empurrá-lo, e tinha que admitir, sem nem sequer a mínima vontade.

– Pára…

– Por que, linda?

– Porque eu não quero. – Ela encontrou forças para responder mas ele apenas riu roucamente acariciando sua intimidade com um pouco mais de força por sobre o leve tecido fazendo a gemer involuntariamente.

– Não quer? … Você está gostando.

Ele afirmou categórico a deixando sem palavras por algum tempo, acelerou os dedos esfregando-os com um claro objetivo.

– Preciso voltar – ele ouviu a murmurar.

– Não, não precisa. – Diogo apertou a mais contra si, ao lembrar-se de para onde ela iria voltar, para quem. Ele não deixaria. Deixou os lábios meio entreabertos e um pouco frios pelo ar da noite relar no pescoço dela, cheirando o local, apreciando. Diogo empurrou a calcinha para o lado acelerando os movimentos em sua intimidade sentindo a estremecer cada vez mais. Tão linda. Tão sexy. Tão gostosa.

Se ao menos ela pudesse ver a própria expressão, na verdade ele também gostaria já que ela agora abafava o som de seus gemidos em sua camisa, pressionando os lábios ali em uma respiração próxima à um ofego.

– Isso, geme pra mim Emi… – o ar quente das palavras colado à sua orelha, um arrepio, um gemido mais incontidamente alto, e o corpo mole. A sensação conhecida de êxtase, de um modo único que só sentia com ele. Diogo apertou a mais contra si encaixando sua cabeça na curvatura do pescoço dela, permanecendo ali por um tempo a acariciando de leve. – Linda… – ela suspirou – Sabia que adoro sua bunda?

Ele falou sacana dando um apertão no local e arrancando um pequeno riso dela.

– Percebi quando você ficou mais tempo acariciando ela do que me beijando. – Ela falou com falsa raiva, e ele riu em seu pescoço provocando lhe um arrepio. Ficaram algum tempo em silêncio abraçados ali, ela puxando os cabelos dele levemente, cantarolando uma música qualquer. – Diogo… Preciso voltar.

– Por quê? Ele está te esperando?

– Sim, deve estar preocupado. – Ela respondeu simples.

– Então vai Emi, o casal número dois ali já deve ter acabado. – Ele falou se referindo ao casal que mais cedo os fizeram se embrenhar no corredor. Um certo tom irritadiço escapou em sua voz. Emi suspirou. Era imprensão sua ou Diogo estava com ciúmes?

Ela segurou o rosto dele entre as mãos e sufocando um sorriso perguntou.

– Está com ciúmes?

Os olhos dele se arregalaram.

Afinal o que ela estava pensando? Que era importante ou especial? – Sim, ela era – Sua mente lhe gritava. Podia jurar que o coração havia acelerado algumas batidas, mas Diogo concentrou-se em se manter inexpressivo, segurou as mãos dela as tirando de sua face. Ela não era importante, não podia – Não deviaAlém do que ainda tem aquele “amigo” andando por aí com ela para baixo e para cima, e se ela pensa que vai me passar para trás está muito enganada.

Seu traidor, seu próprio orgulho. Ela com certeza conseguia atingi-lo mas ele era dono de si.

Emi esperava impaciente até ele resolver se pronunciar.

– Enlouqueceu Emi? – Seu tom de voz amargo despertou uma revolta no estômago da mulher, como se houvesse acabado de levar uma bofetada, estava sem reação e seus olhos pareciam levemente úmidos e por um momento sua consciência pesou, mas Diogo continuou, aquilo acabaria ali, já havia ido longe demais – Melhor isso acabar aqui, querida. – Ele a observou por algum tempo deixando a frase pesar, a face baixa da mulher como em nenhum momento antes havia visto, sempre tão altiva, viva. Suspirou cansado e depositou um beijo nos cabelos dela e pôs-se a caminhar. – Ela estará melhor com Ethan – ele tentava se convencer. Estaria melhor sem ele.

Sim, estaria. Se não fosse ele que ela havia aprendido amar.

separador21

guia

anterior

próximo