CONTOS DE BAR, 5. Philosophy of freedom

Ah! O bar, rs’

Então o bar é o ponto de partida pra quando to pensando coisa com coisa;

Caso se perguntem se é conforme vou bebendo vou escrevendo, já digo que não, essa sou eu sem nenhuma substância. MAS, podem reparar que depois que o personagem perde as contas de quanto álcool ingeriu, ela dá uma… libertada;

Então fiquem com mais um ser perdido no bar, boa leitura 😉

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Sorveu o primeiro gole da cerveja, queria café. A música do bar vinha de altos falantes, provavelmente alguma banda da região tocaria mais tarde, ou aquela era a quarta do karaokê? Aliás, que dia era hoje? Fitava um ponto fixo bem abaixo de uma lâmpada até a vista embaçar, o cabelo volumoso esquentava o pescoço, mas sentia-se mais livre assim, sem amarras. Sorriu para ele quando chegou e sentou-se no banco alto a sua frente, o mundo parecia lhe pesar, gostava de rondar sobre o que as pessoas pensavam – Então, como você está? – perguntou.

– Bem – ele respondera, mas ela entendera, Uma droga, lembra quando achávamos que crescer nos libertaria? – e você?

Gostaria de me sentir mais viva, mas apenas não sinto nada! Acho que isso é Bom – ela sorriu e ele pediu mais duas garrafas. Eram velhos conhecidos. – Como anda a vida?

– Trabalhando, muito. Demais, é errado ainda sonhar com o sonho adolescente de pegar um carro e dar adeus pra tudo? Mas vou ter férias em breve. E você?

Estudando. Sentindo-me inútil, acho que até um trabalho de garçonete me faria sentir melhor. Pensando no futuro.

– Tá certo – ele riu, falara alto o que pensara? Ou fora a pontada de sarcasmo qual ria com a vida? À merda o futuro, aquele já era o futuro e não mudara muita coisa, só ensinara a disciplinar os sonhos, que eles se adaptavam a quanto tinha no banco, e definitivamente amor não era prioridade, o dinheiro era.

Bebeu o resto da garrafa, e dividiram a terceira, vodka depois, não contara mais o que, só que as luzes acima pareciam piscar e só uma coisa ela não abrira mão esse tempo todo, liberdade. Ele perguntara como, ela filosofara e pra ele fez sentido. Faça o que quiser, enfrente quaisquer que sejam as conseqüências, desde que não se arrependa pelo que não fez, aceite o mundo, não o questione, não vale a pena. Se rebele sendo não convencional, mas tão melhor quanto qualquer outro, seja você mesmo, é a única coisa que ainda não é vendida, uma dose de você mesmo.

Um homem cantava no palco, não havia percebido quando ele tomara o microfone, mas ela rira, quarta do karaokê. Ela sorriu para o outro a sua frente, parecia procurar uma verdade, qualquer coisa que fizesse sentido, ela lhe sorriu, porque às vezes era tudo o que queria do mundo, que ele sorrisse. Não sabia se havia tido efeito, mas levantou-se do banco um pouco zonza e o puxou pela mão do seu levando-o para frente do palco, a música lhe agradava e ela se balançava de leve, os braços desnudos pela camiseta se arrepiaram a um vento vindo não sabia de onde.

Uma jovem se animou tomando um microfone e se juntando a cantoria do homem, e ela gritou aprovando a atitude da desconhecida em um riso sem motivo, ao seu lado o homem pareceu se animar também se balançando ao ritmo. Não sabia se ele seria capaz de por em prática suas lições de liberdade quando o álcool saísse de seu sistema, provavelmente não, era altruísta demais.

Mas esperava que sim, ignorar o mundo a volta fazia a vida menos sem sentido. Ela sorria para qualquer um, fazia das pequenas gentilezas esquecidas do dia-a-dia sua revolta, tentava lembrar-se de cada boa conversa com desconhecidos como forma de honrar pelos minutos agradáveis em um dia comum, os julgamentos não poderiam ser capazes de direcionar sua vida. Alguns a viam como uma louca, outros como uma jovem gentil, acreditava que era mais do que ela e os outros compreendiam, cada um era, era uma vida, um milagre por si só, por isso era quem queria ser, liberta.

Mais tarde aquela noite, quando voltavam para casa, ela riu se pondo a cantar desafinadamente junto a ele pelas ruas como um protesto ao silêncio, ela sorria vendo-o seguir caminho na madrugada da quarta do karaokê.

– Até logo – ele disse.

– Até – e dessa vez, ela acreditava, era realmente só aquilo que queriam dizer.

Fazer do mundo paraíso era sua maior mentira, embora também sua mais completa liberdade.

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CONTOS DE BAR, 4. That encouraging smile

Aquele mesmo bar…

Infelizmente, não encontrei nenhum sorriso encorajador em particular pra deixar como imagem, então sintam-se livres pra imaginar cada um os seus;

Pra quem já leu as outras, vai ser interessante considerando que essa é uma espécie de continuação. MAS, não faz mal ler uma só;

A música é still loving you – Scorpions ( ❤ ) ;

Divirtam-se 😉

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Não é que estivesse loucamente a fim de uma noitada, apenas que não podia mais suportar o silêncio absurdo de seu apartamento, enquanto se sentia liquefazer em uma poça de suor vendo qualquer clássico filme de sua infância só para passar o tempo em um montinho sobre o sofá. E Deus sabia o quanto odiava cerveja, mas Ele também sabia que odiava mais a ardência que destilados mais fortes deixavam na garganta. E claro que não pediria vinho em um bar frequentado tão diversificadamente, sair para a noite sozinha não era para quem dava pinta de uma moça requintada – não que fosse.

Seja como fosse, só precisava justificar para si própria o porquê de ir para um bar a alta altura da noite, sem companhia, e por se a beber sem contar quantas já foram, não que achasse que já estava bêbada.

Mas é que talvez já estivesse.

A mesa tinha dois lugares com bancos altos, realmente gostaria de estar jogada confortavelmente em um dos pufes nos fundos, mas a pouca claridade dava abertura para confundirem o bar com um motel e seria deveras constrangedor sentar-se lá sozinha, por isso seus pés se penduraram enquanto debruçava sobre a mesa levando a pequena garrafa de vidro aos lábios.

O palco alguns metros a frente por vezes abrigava cantores – alguns bons, outros nem tanto – lembrava-se de ter se remexido ao som de uma música country mais cedo, curtido um jazz depois, lembrava-se também de ter sofrido quando uma mulher subiu ao palco e cantou um blues – é que ela havia entendido a música. E então depois um homem tomou seu lugar, dedicou a música a um velho e agora já começava a terceira música consecutiva, e aquela ela conhecia muito bem.

Time, it needs time

To win back your love again

I will be there, I will be there

Love, only love

Can bring back your love someday

I will be there, I will be there

O calor corporal do local a sufocava ao mesmo tempo que a fazia sentir-se viva, soltou os cabelos do coque que não se dera o trabalho de arrumar ao sair de casa e deixou o cabelo cair em curtas cascatas emoldurando seu rosto, escondendo seu semblante.

I’ll fight, baby, I’ll fight

To win back your love again

I will be there, I will be there

Love, only love

Can break down the walls someday

I will be there, I will be there

O momento estava lá, ainda lembrava-se de quando costumava cozinhar com a mãe, e o vizinho colocava essa música e ela comentava que era a única de qualidade que ouvia, riu sozinha enquanto se desviava de mais um.

If we’d go again

All the way from the start

I would try to change

The things that killed our love

Your pride has built a wall, so strong

That I can’t get through

Is there really no chance

To start once again

I’m loving you

Aquele refrão realmente a deixava em um estado… Feliz, não era uma romântica, longe disso, aquela melodia apenas parecia certa demais, lhe deixava leve, a fazia ousar.

Try, baby try

To trust in my love again

I will be there, I will be there

Love, our love

Just shouldn’t be thrown away

I will be there, I will be there

A outra estrofe havia se esvaido no passado não muito distante quando ela e sua garrafa de cerveja ruim alcançaram o palco, capturou um microfone jogado sobre um banco e o ligou.

If we’d go again

All the way from the start

Os dois primeiros versos saíram um pouco roucos interrompendo a concentração do cantor, ela perdeu uma pensando se deveria continuar, mas ele continuou e lhe sorriu encorajando. E quem afinal poderia resistir a um sorriso encorajador, sempre gostara de cantar quando estava sozinha, às vezes se empolgava e cantava acompanhada e sempre lhe pediam para parar, mas nunca realmente tentava. Ninguém realmente lhe encorajava.

Até agora.

I would try to change

The things that killed our love

Your pride has built a wall, so strong

That I can’t get through

Is there really no chance

To start once again

Quando a última estrofe se iniciou estava a mercê da música, se mexia lentamente ao ritmo, às vezes exagerava jogando a cabeça para trás e deixando a voz sair e parecia ter contagiado sua dupla, que se levantou tomando o .

If we’d go again

All the way from the start

I would try to change

The things that killed our love

Yes, I’ve hurt your pride, and I know

What you’ve been through

You should give me a chance

This can’t be the end

Eram agora os últimos versos e não se lembrava da última vez em que fizera algo tão vivo e espontâneo, se aproximou do cantor e seu violão, e com a garrafa da bebida de cevada e o microfone em uma das mãos, depositou a outra em um dos ombros do mesmo, e procurando os olhos do desconhecido deixou escapar então os versos finais em um desafino.

I’m still loving you

I’m still loving you

I’m still loving you, I need your love

I’m still loving you

E talvez, estivesse muito disposta a dar uma chance aquele sorriso encorajador, afinal havia a possibilidade que estivesse um pouco bêbada e por demais encorajada.

CONTOS DE BAR, 3. About silence

Já era pra ter postado essa a tempos, enfim

  • Perguntei a dois amigos sobre quando se falava de bar, que tipo de personagem vinha a cabeça, e assim nasceu o Músico e o Velho;
  • Trechos usados são da música 60 Feet Tall, anteriormente já usado em Red Storm;
  • Mais uma história despretensiosa com um bar – se é que alguém leu as outras! Mas se leram, sim, o bar é o mesmo dos outros contos, – e eu enchi de referências porque era divertido – e ainda pretendo que se passe muitos por ele; ❤
  • Não encontrei uma imagem que combinasse, caso alguém tenha, ficaria grata se compartilhassem ):
  • Boa leitura 😉

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Não sabia ao certo quantas vezes aquela semana havia ido parar ali, entre idas rápidas durante o dia, uma cerveja refrescante entre as apresentações em praças, esquinas, qualquer lugar em que pudesse cantar e de quebra ganhar uns trocados. E as noites vazias em que nem a música era capaz de fazer um trabalho perfeito em aliená-lo do mundo que não se encaixava, o álcool lhe fazia companhia.

Sentou-se ao balcão no lugar de sempre, suspendeu um pouco as mangas da jaqueta de couro, e engatou as botas no apoio do banco, não pretendia sair nem tão cedo dali, o barman já conhecido lhe trouxe a primeira garrafa, e como de costume passou um copo para o velho ao seu lado. Era quase uma espécie de ritual, desde que se mudara correndo atrás do sonho de ser músico e descobriu ser quase impossível ser “resgatado” em meio a tantos sonhos em uma cidade que os engolia, encontrou aquele bar. Era grande, tinha um balcão sempre cheio, e um palco pros muitos músicos fracassados como ele que não estavam lotando estádios.

Logo no primeiro dia conheceu o velho, se é que aquilo podia ser chamado de conhecer. O caso é que o senhor sempre estava lá, sempre tinha uma bebida em mãos, e absolutamente nunca falava, apenas observava. Lembrava-se de estar muito bêbado ao primeiro dia e tê-lo xingado por não respondê-lo, e mais bêbado ainda no segundo, e chorado como uma criancinha se desculpando, em alguns dias estava completamente fora de si e virava um pensador contando casos e desventuras ao experiente homem, e o mesmo com um olhar perdido, quase desinteressado, continuava a beber e por vezes fazer palavras cruzadas.

Fosse como fosse, aprendeu a falar sozinho e se sentir “acolhido”, também ganhara o hábito do “amigo” de observar a sua volta. Tinha que admitir que tivesse uma atenção especial as mulheres, como a que olhava fixamente para o homem ao seu lado com uma quase adoração – Paixão unilateral, olha que desperdício – comentou com o senhor que tomou mais um gole da bebida.

Passou a mão pelo cabelo mal preso em um coque, se viu refletido em um espelho atrás do balcão e constatou que precisava fazer a barba, amanhã talvez. Alguém cantava um blues no palco, uma voz feminina levemente rouca, sequer parecia fazer esforço para cantar bem, mas teve que sorrir ao conseguir “sentir” a música, não era para qualquer um.

Hooked up to my motor
All day long
We go down to Texas
Up to Montreal

Só desesperados ou amantes interpretavam tão bem um blues.

You got my attention
You got it all

I can take the trouble
I’m 60 feet tall

I know it ain’t easy
I must tap your evil well
‘Cos, boy, do you come roaring
Like a bat out of hell
You drive me so reckless
You’ll kill us all

Quando a nota se findou, resolveu que queria ser um desesperado, sabia ser impossível amar com intensidade e tão rápido, encaminhou-se para o palco deixado pela dama de vermelho, observou um homem segui-la com pressa, sentiu o porquê amava cantar, talvez dois desesperados seriam amantes essa noite. Completou os poucos passos que faltavam e chegou ao palco, e quando tomou o microfone em mãos, deixou o amor pela música, e o desespero por viver dela extravasar – Essa é pro meu amigo, o Velho, aquele que me ensinou a observar – De longe quase pôde apostar que o senhor sorriu, mas por agora nada mais importava, apenas cantar.

CONTOS DE BAR, 2. Your details

  • Inspiração rápida de quinta, concluída na sexta, sem pretensões;
  • To pegando um gosto por cenas em bares ❤ ;
  • Boa leitura 😉

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secret-

Quando a risada reverberou se perdendo na amotinação sonora costumeira do bar, um choque percorreu sua pele como se todo seu corpo pudesse ouvir. Virou rápido o último gole do vinho barato com medo que ele percebesse, mas logo deixou um riso desgostoso escapar, ele não reparava nela como seus olhos teimavam em se voltar à ele.
Como sua barba estava rente a pele e era gostoso sentir, mal podia pensar se ele descobrisse que se aproveitava do abraço de despedida para deixar a pele de sua bochecha tocar seu rosto só pra sentir arranhar por alguns segundos.
Remexeu-se desconfortável no banco alto que deixavam suas pernas penduradas antecipando a vergonha que cometeria mais tarde – Foi uma boa ideia sair hoje – Não sabia explicar porque teve que engolir a bílis se perdendo nos detalhes das garrafas de destilados coloridos murmurando um “Sim” enquanto esses detalhes invadiam seus pensamentos como uma onda furiosa.
Pediu outra dose do vinho barato, com teor de álcool demais para conseguir apreciar o resquício do sabor da uva sem que fizesse uma careta. Definitivamente era fraca para bebidas.
Também era uma incógnita exatamente quando Brad Pitt, Liam Hemsworth, e o mais maduro George Clooney, nus em nuvens de algodão doce foram substituídos em seus sonhos por seu melhor amigo. Aquele mesmo que lhe contava de todas as aventuras, paixões e conquistas, e de quem ela sempre se lembrava de ter estado de alguma forma ao seu lado nos últimos anos, seja nas horas boas ou ruins.
Ele cantarolava junto a uma canção que saia dos altos falantes, um punk rock que tentava se sobrepor sobre a toda a conversação, batucava o copo de vodka com energético, e ela queria que tudo se calasse para ouvir melhor sua voz, mesmo que no fim fosse para dizer que cantando ele era ótimo em silêncio. Mas aquele zum, zum rouco, era bom.
Mas é que começou a ter um fraco por quando ele deixava o cabelo com um estilo curto militar e passava a ter cara de mal, mas sempre que o via ou se lembrava tinha um sorriso na face, ou quando deixava maior e ficava pensando se ficava arrepiado naturalmente.
E ironicamente viviam com piadinhas de friendzone, mas era covarde demais até pra ocupar esse posto, sabia que ele era, bem, seu melhor amigo, mas tinha dúvidas de quantas melhores amigas ele tinha.
Abaixou a cabeça sobre os braços no balcão e se deixou observar seu perfil, enquanto ele olhava o local em distração. Mas que péssima companhia era, deveria agradecer o fato do silêncio entre os dois também não ser constrangedor, quase companheiro, avaliaria.
E tinha que admitir que sua única intenção naquela noite fosse contar com a sorte de que ele se embebedaria, e ela entornasse o suficiente pra deixar seu lado mais impulsivo dar o ar de sua graça e depois rezar para que o álcool apagasse qualquer vestígio do acontecido e ela fingiria eternamente que não havia nada para se lembrar. E guardaria para si, aquela vez que não foi covarde e agarrou seu melhor amigo.
– Deveria parar de me amar a distância – seus olhos se encontraram – É que me deixa envergonhado desse jeito – uma resposta coçou a ponta da sua língua, mas ela deixou morrer e sorriu em desdenho, talvez já tivesse bebido o suficiente para ser impulsiva.

CONTOS DE BAR, 1. Red Storm

  • Para iniciar o ano por aqui um conto originado do nada, mas que foi um enorme prazer escrever;
  • Os trechos são da música 60 Feet Tall, da banda The Dead Weather;
  • Ainda não sei se haverá continuação.

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Nunca gostara daquela maldita coisa, exalava um cheiro horrível que parecia seguir você por todos os lugares depois da primeira tragada, levava o corpo a um estado repugnante entorpecendo enquanto matava, mas encaixava-se tão perfeitamente por entre os dedos, e sempre parecia uma carícia suave aos lábios fossem eles ressecados ou belamente hidratados com cosméticos que tinham mais nome do que realmente ofereciam todos os prós escritos.

Talvez fosse por isso que levou o cigarro aos lábios com tanta raiva, mordendo-o como se fosse a carne de um inimigo. Percebera tarde demais o gesto que o fez cuspir a qualquer canto do chão imundo amassando a ponta no balcão ao lado do copo de whisky intocado.

É que precisava de algo prejudicial, qualquer coisa que o fizesse se sentir um bastardo, e não queria perder a consciência no processo. Precisava de um vício para após ganhar dinheiro durante todo o dia trancado em um maldito escritório sem ter nunca tempo para gastá-lo.

Arrastou-se da banqueta colocando os pés no chão sem ter certeza do destino, passou as mãos aos fios de cabelo ao ponto de arrancá-los, por fim caminhou entre os muitos bêbados que se dividiam pelo bar, era sempre o mesmo cenário, beijos vulgares demais para serem mostrados ao público, jogadores apostando se entretinham em mesas de sinuca e baralho, uma bandinha qualquer de jovens revoltados tentavam resgatar o rock’n roll no palco improvisado e alguns acompanhavam sua resistênciaberrando em meio as músicas fazendo um feio coro.

Parou levando as mãos vazias aos lábios, por força do hábito, frustrando-se em perceber o quão habituado já estava àquela maldita droga, o solo estridente de guitarra chegou ao fim e uma canção mais calma se iniciou, um blues envolvente.

Ela tomou o palco em um vestido vermelho longo de alcinhas e botas acompanhando o ritmo, totalmente deslocada em meio àquele mar escuro quais as pessoas se sentiam mais poderosas, mas a morena era visivelmente uma mulher que não precisava de nada para se provar dona do próprio destino.

You’re so cruel and shameless
But I can’t leave you be
You’re so cold and dangerous
I can’t leave you be
You got the kind of loving
I need constantly

Sua voz não tinha nada de espetacular, mas sua solidão era sentida em cada verso, suas mãos sempre eram levadas aos cabelos revoltando-os mais a cada vez que os puxava para cima e depois os deixava livres para se espalharem.

Two eyes none the wiser
In the deep
When the water gets hotter
Both hands in the deep

Ela levantava o vestido como se para não pisar em sua bainha e logo se perdia em mais algum movimento. Não olhava nada específico, mas tinha os olhos mais profundos que já se lembrava de ter visto, um castanho comum com um toque de poeta que fala de amor mas que nunca aprendera amar, eram mentirosos e manipuladores, desses que enganam à primeira vista e na segunda já se está rendido.

Mas sua presença revelava a qualquer que desse uma boa olhada, era um espírito livre, indomável, uma completa perda de tempo.

A canção chegou ao fim em um tom desafinado e sua saída fora tão repentina quanto sua chegada, caminhou para fora do palco atravessando em meio a todos e se tornando um vulto vermelho quando a porta do bar se fechou às suas costas.

I can take the trouble
Cos I’m 60 feet
Tall

Ele sorriu sem aparente motivo, tomando também o rumo da saída. Ainda encontrava-se hipnotizado em como ela transformara aquele ritmo em algo tão envolvente ao mexer sutil de seus quadris, arrancou os cigarros restantes do bolso interno de sua jaqueta abandonando-os sobre uma mesa qualquer, aquele era um mistério que estava mais do que disposto a descobrir.

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Continuo ou o mistério é mais envolvente?
Espero que tenham tido uma boa leitura, beijo meio amargo ;*

Irony of Fate – Único

Essa história é um breve momento no futuro dos protagonistas de Irony of Fate – outra história minha, postada aqui. Tive uma súbita saudade do meu casal complicado e perfeitinho, então fui obrigada a “visitá-los”. Não é preciso ler a outra história para entender essa, só os nomes mesmo que coincidem além de tê-los imaginados enquanto escrevia.

No mais, divirtam-se 😉

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02

Classificação: +13
Categorias: Originais
Gêneros: Romance
Avisos: Heterossexualidade

Capítulos: 1 (543 palavras) | Terminada: Sim

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Cinco Minutos Para o Fim do Mundo

Eles haviam dito Adeus, e o café estava quente por sobre a bancada. Era o último adeus, e o frio e chuvoso domingo era cruelmente reconfortante. Uma promessa mútua de dois amantes, a cafeína desceu sobrepondo o peso em sua garganta.

Porque já não havia modos de continuar, mas de nada adiantou e as lágrimas desceram.

Seus sonhos estavam se sobrepondo, mas o mais importante; deixaram ultrapassar o amor que sentiam, e agora ele estava pra pegar um avião para além do que ela podia alcançar, para o fim do mundo, e ela simplesmente não podia agüentar.

Mais um Adeus quem sabe, apenas mais um antes de vê-lo seguir em frente, talvez um beijo pra marcar que foram bons tempos. Não, não podia apenas deixá-lo ir, e sua constatação foi tão repentina que a xícara de café foi ao chão e em minutos ela dirigia em sua direção.

 Porque ele sempre será meu caminho…

Tão idiotas, sem acordos, apenas souberam gritar e magoar, no calor do momento, e quão cruel havia sido tudo lhes dando pouco tempo para pensamentos. Ele havia sido chamado para uma chance única de trabalho dos sonhos, fora do país, e ela não podia pensar em perder tudo o que havia conquistado na cidade que a havia a acolhido, cogitaram a distância, mas mais mágoas foram carregadas. E era algo tão superficial agora que ela pensava que não podia pensar em mais nada além de se socar, mas daria um jeito naquilo.

– O vôo para Dublin, já saiu?

– O avião irá decolar dentro de cinco minutos, senhora. Os portões já se fecharam! Obrigada, próximo.

– Mas… – Oh! Como gostaria de socar a atendente ranzinza, ou apenas chorar nos braços dele como uma criança dizendo o quão idiota fora, enquanto ele depositava um beijo suave em seus cabelos.

Ela caminhou lentamente para o vidro imaginando em qual avião ele poderia estar, deixando as lágrimas escorrerem por sua face em uma revolta muda.

– Cinco minutos para o fim do meu mundo. – Colou a testa no vidro e bateu o punho fechado, fungando. – E eu o mandei ir…

– Emi?

Não, ela não podia acreditar, os portões já estavam fechados, e ele estava voando agora para outro país. Não estava?

– Diogo? – Não, ele não estava. E ela riu e chorou ao mesmo tempo em que corria para os braços estendidos dele. – Oh Diogo, eu achei que havia te perdido. Deixado você ir, por uma besteira qualquer…

– Emi, Emi! Minha tentadora e impulsiva Emi. Acho que nos demos conta da idiotice a tempo. – Ele disse a abraçando e depositando um suave beijo em seu cabelo, e ela só pôde sorrir reconfortada. – Imagine que eu estava pensando em nós quando vejo uma louca bater no vidro e resolvo tentar ver o que acontece, e então é você! – Ele disse rindo.

– Não me importa onde estarei Diogo. Desde que estejamos juntos. – Ela lhe sorriu de volta.

– E não existirá mais Adeus para nós.

– Nunca mais.

– Eu te amo… – Foi a última coisa que ele disse antes dela puxá-lo para apoderar-se de seus lábios. Tentadora e Impulsiva Emi, o fim do mundo teria que esperar mais do que cinco minutos, a eternidade se dependesse dela.

Sublime

Atenção à classificação etária 😉 

01

Classificação: +18
Categoria: Originais
Gêneros: Romance, Hentai
Avisos: Nudez, Heterossexualidade

Capítulos: 1 (1.165 palavras) | Terminada: Sim

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O ambiente encontrava-se em pleno silêncio exceto por uma suave canção, uma voz feminina seguida de batidas remixadas na rádio. Esparramada na cama, de lençóis bagunçados, sob a completa escuridão, o corpo repousava imóvel, aparentemente já há algum tempo naquela posição, os olhos castanhos a encarar o teto quase não piscavam, até que de súbito levantou-se.

Era a hora perfeita para se presenciar a lua cheia no belo céu estrelado, e uma íntima satisfação a tomou instantânea ao debruçar-se sobre o parapeito da janela do quinto andar, um devaneio à um abraço, um beijo escondido no canto dos lábios, e o luar apenas a iluminar os cabelos soltos à leve brisa. Tão alheia ao mundo, que não percebeu sequer sua chegada.

O suave toque em sua silhueta a despertou para virar-se, mas teve seus pulsos seguros ao parapeito da janela, a respiração pesada bateu-lhe à nuca provocando um gentil arrepio e o olhar abaixou fechando as pálpebras.

Sentiu o cabelo ser retirado do pescoço e jogado por cima de um dos ombros pelos dedos frios, e em seguida lábios a deslizar suavemente por sua pele. A larga camiseta branca que usava já a muito era profanada sendo deslizada lentamente para cima enquanto sua pele era acariciada assim que descoberta.

Se ao menos ele pudesse ver o que os gestos tão simples já haviam despertado em seu olhar, sem nem ao menos vê-lo. Mas os olhos por fim se encararam após um sutil movimento, e ela mordia os lábios tentadoramente enquanto deslizava as unhas em um vai e vêm convidativos por seus braços e fronte desnudos. Nada mais do que por alguns segundos até os lábios se encontrarem em choque e um prazer mútuo. Separaram-se em poucos segundos apenas para mais um rápido olhar e finalmente se perderem aos beijos. As línguas dançavam, em uma coreografia conhecida e viciante, não havia porque trocar o que era de encaixe tão sublime. Ele mordiscou os lábios dela, e ela retribuiu mordendo e puxando, para então embarcar em mais um beijo enquanto davam passos vagos até a cama, os braços dela enlaçando o pescoço dele, até sentir-se ser pega no colo, e enlaçar também as pernas em volta dele enquanto ele a carregava mais rapidamente na direção desejada.

O corpo miúdo afundou no colchão de lençóis bagunçados enquanto os lábios dele deslizavam por seu pescoço e colo e ela se apoiava nos cotovelos se esgueirando para a cabeceira da cama, apoiando-se melhor e puxando por fim os lábios dele em um beijo exigente enquanto as mãos grandes trabalhavam em descer o fino tecido da calcinha e relando o jeans bruto no lugar.

Sentiu uma satisfação particular ao vê-la interromper o beijo para deixar um gemido baixo escapar por entre os lábios avermelhados, e aquela foi a deixa para virá-la deixando o corpo apenas com a camiseta encolhida deixando o livre para investir. Desceu uma das mãos até sua intimidade acariciando de leve, penetrando lentamente dois dedos, enquanto sussurrava em seu ouvido secretamente a fazendo suspirar. E como amava vê-la assim entregue.

Sorriu respirando por sobre sua coluna até chegar ao bumbum, a fazendo empiná-lo levemente até poder alcançar sua intimidade até então acariciada por seus dedos. Deslizou a língua uma vez a fazendo estremecer de imediato, mordiscou e chupou a ouvindo gemer, sentiu seu próprio membro apertado por sob as vestes, precisava dela, precisava sentir sua entrada engolindo-o conforme a estocava. Ela estava quase lá, podia sentir isso a cada vez que penetrava a língua nela e suas pernas sem mais tantas forças para manter a posição, e foi exatamente quando ele parou e ouviu um suspiro e um leve “Por quê?”.

Deixou escapar um riso gostoso enquanto acabava de despir-se rapidamente, jogando a calça e a cueca em um canto qualquer, voltou rápido, esfregou o membro na intimidade dela sem penetrá-la até o liquido deixar-se escapar pela entrada apertada da mesma melando também seu membro, e então a penetrou no mesmo instante, deslizando fundo enquanto mantinha os quadris erguidos por seus braços e ela mal conseguia respirar.

Manteve o ritmo lento estendendo-lhe a sensação enquanto ele aproveitava as suas próprias. Inclinou-se um pouco a abraçando com uma mão em cada seio e a trazendo junto consigo em uma posição meio sentada deixando-se afundar ainda mais, tirou o membro rapidamente e tornou a penetrá-la duramente algumas vezes para então retornar ao ritmo lento a ouvindo gemer sem parar suspirando quando lhe faltava fôlego. Beijou a pele suave enquanto sentia as unhas dela se afundarem por sobre suas mãos quase que em desespero. Estava quase lá quando a levou ao segundo êxtase e em movimentos firmes liberou-se dentro dela.

Respirou fundo deixando-se afundar na sensação, deitando-se ao lado dela.

Suspirou satisfeita ao sentir sua respiração em sua nuca, e virando o corpo vagarosamente, deixou a mão a passear pelo corpo dele até seu membro, primeiro uma suave carícia, para então segurá-lo firmemente, não o olhou em momento algum, apenas deixou-se guiar até onde sua mão repousava substituindo-a por seus lábios.

Lambeu toda a extensão como se o limpasse, e então abocanhou chupando lentamente excitando a glande com movimentos da língua, subiu e desceu se deliciando com os gemidos dele à sua mercê. Ele segurou seus cabelos comandando o ritmo como gostava, e ela sentia-se exposta enquanto sabia que ele observava-lhe, e aquilo só fez o formigamento em seu baixo-ventre aumentar ainda mais. Sugou a pele até deixá-la avermelhada e pulsante novamente, e então satisfeita com o resultado finalmente o encarou enquanto passava uma das pernas por sobre seu corpo e deixava se descer de uma só vez sobre o membro.

Fechou os olhos de imediato segurando um gemido mordendo os lábios, até senti-lo mexer-se lentamente sob si. Abriu os olhos apenas para encontrar os dele a reparar cada detalhe de sua face enquanto estava dentro de si. Apoiou ambas as mãos em seu abdômen, e acelerou o ritmo contraindo sua intimidade enquanto mastigava o membro dentro de si. Tentava por vezes manter-se a encará-lo da mesma forma, mas logo suspirava frustrada erguendo a cabeça em um suspiro fechando os olhos sem conseguir se conter.

Se pôs a mexer-se preguiçosamente deitando-se sobre o corpo forte, enquanto ele lhe acariciava as costas prolongando a sensação gostosa, até sentir-se subitamente ser virada tendo suas costas pressionadas no colchão e um beijo selvagem nos lábios. Ele acelerou os movimentos afundando sua cabeça no pescoço dela, mordendo a região por vezes, enquanto sentiu as pernas dela enlaçar seu tronco a deixando mais exposta. Os gemidos dela se sobressaíram enquanto ela o arranhava deixando marcas avermelhadas em suas costas, seguindo o ritmo.

Os corpos se chocavam em uma sincronia única até o suspiro mais profundo e a liberação de ambos em fim.

As respirações se mesclaram em um beijo suave, os olhos se encontraram sorrindo mútuos. O prazer íntimo, pela presença um do outro junto ao ato, não havia nada mais sublime.

– Eu te amo… – sussurraram por fim deixando-se levar para o mundo dos sonhos.